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Finanças
Recuperação judicial do Essere Group é uma derrota para BB, Itaú e Santander
1/09/2026- [addtoany]
O pedido de recuperação judicial do Essere Group representa um revés particular para o Banco do Brasil, o Itaú e o Santander. Segundo informações apuradas pelo RR, os três bancos vinham tentando renegociar os créditos contra a companhia desde 2025, de forma a evitar que a crise da fabricante de fertilizantes especiais, bioinsumos e produtos para nutrição vegetal acabasse no Judiciário. Não conseguiram. Agora, o pagamento das dívidas entra na incerteza própria de um processo de RJ. Juntos, BB, Itaú e Santander têm R$ 148,3 milhões a receber, praticamente dois terços dos R$ 222,3 milhões em passivos declarados na recuperação judicial. O BB carrega a maior exposição, R$ 68,38 milhões. O Itaú vem em seguida, com R$ 42,46 milhões, e o Santander, com R$ 37,49 milhões.AgroPages News.
As demonstrações financeiras auditadas da Kimberlit, uma das principais empresas do grupo, registram que operações com BB e Santander e uma nota comercial emitida pelo Itaú estavam em standstill até 31 de dezembro de 2025. Em 31 de março de 2026, data de emissão do relatório do auditor, essas dívidas continuavam em processo de repactuação e alongamento. Segundo a Nota 11, os empréstimos e financiamentos consolidados somavam R$ 260,1 milhões no fim de 2025, dos quais R$ 165,5 milhões estavam classificados no curto prazo. A mesma nota mostra que R$ 259 milhões, ou 99,6% do total, correspondiam a capital de giro. A fotografia é de uma companhia fortemente dependente de financiamento bancário para sustentar a operação.
Foi nesse quadro que a negociação bancária desandou. O Santander, um dos participantes do standstill, partiu para uma execução contra empresas do grupo. Agrolend e Ceres também recorreram à Justiça. No pedido de RJ, o Essere alegou que bloqueios de recursos poderiam comprometer a manutenção da operação, inclusive o pagamento da folha e a aquisição de insumos. Em 19 de agosto, a Justiça antecipou por 30 dias os efeitos do stay period, suspendeu especificamente as execuções movidas por Santander, Agrolend e Ceres e determinou o desbloqueio de valores, bens e direitos alcançados pelas constrições.
A cronologia deixa uma pergunta especialmente desconfortável para BB, Itaú e Santander. Entre o standstill de 2025 e o pedido de RJ de agosto de 2026, os três tiveram diante de si uma empresa cujo endividamento financeiro era quase integralmente formado por capital de giro e que havia consumido R$ 100,7 milhões em despesas financeiras somente em 2025, 27% acima dos R$ 79,1 milhões do ano anterior. Só os juros sobre empréstimos chegaram a R$ 60,4 milhões. No mesmo exercício, o resultado antes do financeiro caiu de R$ 98,2 milhões para R$ 61,9 milhões, enquanto a companhia passou de lucro líquido consolidado de R$ 16,8 milhões para prejuízo de R$ 21,1 milhões.
O sinal de alerta estava formalizado meses antes da recuperação judicial. Embora a administração afirmasse não ter identificado incerteza relevante sobre a capacidade de continuidade nos 12 meses seguintes, o auditor registrou justamente o contrário: as negociações com os principais credores financeiros indicavam a existência de “incerteza relevante” capaz de levantar “dúvida significativa” sobre a continuidade operacional. Ainda assim, BB, Itaú e Santander não conseguiram produzir uma reestruturação privada capaz de estabilizar o caixa e manter o Essere fora da Justiça.
Destaque
BV e Santander trabalham para barrar RJs de cooperativas agrícolas
2/06/2026- [addtoany]
Ao entrar na Justiça contra o pedido de recuperação judicial da Cotribá, o Banco Votorantim (BV) e o Santander falam não apenas por eles próprios, mas, de certa forma, por toda a banca nacional. Há no sistema financeiro uma preocupação de que outras cooperativas agrícolas venham a seguir o mesmo caminho, provocando uma nova onda de recuperação judiciais no agronegócio. No caso específico da Cotribá, Votorantim e Santander estão, inclusive, buscando a adesão de outros bancos credores à ação movida contra a empresa, segundo informações filtradas pelo RR. O assunto é objeto de controvérsia jurídica. Muitos juristas sustentam que cooperativas não podem recorrer à Lei de Recuperação Judicial, por não serem sociedades empresariais, mas, sim, entidades sujeitas a regime próprio, incluindo liquidação extrajudicial. É o entendimento que fundamenta o litígio aberto pelo Banco Votorantim e pelo Santander. A alegação dos credores é que a cooperativa estaria tentando usar uma brecha jurídica para obter blindagem contra cobranças, ganhar tempo e forçar uma negociação coletiva mais favorável. O BV chegou a acusar a Cotribá de “má-fé” e “chicana jurídica”, afirmando que a cooperativa teria desistido de uma ação anterior e apresentado novo pedido semelhante em busca de uma decisão mais conveniente. Consultado, o Banco Votorantim não quis comentar o assunto. Também contatados pelo RR, Santander e Cotribá não retornaram.
A Cotribá sustenta na Justiça que, embora formalmente cooperativa, atua materialmente como grande empresa agroindustrial, com faturamento bilionário, milhares de associados, originação de grãos, insumos, armazenagem e forte impacto econômico regional. É justamente essa ambiguidade que torna o caso explosivo. Se o Judiciário aceitar a tese da Cotribá, outras cooperativas em dificuldade poderão seguir o mesmo caminho. A preocupação dos bancos é com o chamado efeito manada: um precedente que permita a grandes cooperativas agropecuárias usar a RJ para suspender execuções, reordenar passivos e impor descontos ou alongamentos a credores financeiros.
Não há uma estatística pública consolidada sobre o número de cooperativas agropecuárias em dificuldade financeira, mas o entorno do caso Cotribá mostra um agro sob forte estresse. O setor fechou abril com 539 empresas em recuperação judicial. Em 2025, houve 1.990 pedidos de RJ no agronegócio, alta de 56,4% sobre 2024. O caso específico da Cotribá mostra a dimensão do problema: são 20.614 credores e mais de 78 mil registros de débitos, espalhados por 1,7 mil páginas. Do passivo de R$ 1,4 bilhão, cerca de R$ 1,3 bilhão é formado por créditos quirografários, sem garantia real. Há ainda R$ 99,7 milhões em créditos com garantia real e R$ 10,2 milhões em créditos trabalhistas. A maior parte do drama está entre produtores rurais associados e instituições financeiras, com bancos e cooperativas de crédito somando ao menos R$ 527,1 milhões em exposição.
Negócios
GetNet passa o cartão para comprar fintechs no Brasil
9/01/2023- [addtoany]
A Getnet, leia-se o Banco Santander, vai partir para a compra de fintechs no Brasil especializadas em novas soluções de pagamento. O mercado de maquininhas, principal negócio da empresa, tende a perder cada vez mais espaço para as transações por celular e congêneres.
Santander é uma estrela na Justiça do Trabalho
10/02/2020- [addtoany]
Das 20 empresas com o maior número de reclamações no TST nos últimos 12 meses, nove são do poder público. Quase sempre foi assim, dado o gigantismo de corporações como Petrobras, Caixa e BB. A novidade do período é o Banco Santander, sexto no ranking geral e primeríssimo entre as empresas privadas.