Bauducco – Relatório Reservado

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Destaque

Até onde a Bauducco pode virar uma “nova Garoto” para a Nestlé?

12/08/2026
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A negociação para a compra de uma participação na Bauducco reavivou dentro da Nestlé o fantasma da aquisição da Garoto, um imbróglio concorrencial que levou mais de duas décadas para ser definitivamente equacionado. Guardadas as devidas proporções entre os dois casos, a lembrança daquele infindável processo ganha força diante do risco de a operação sofrer restrições no Cade. Segundo informações filtradas pelo RR, há na multinacional uma preocupação, sobretudo, em relação à divisão de biscoitos. É nesse segmento que o eventual M&A com a Bauducco pode engasgar junto aos conselheiros do Cade. Há mais do que farelos quando o assunto é concentração de mercado. No mercado de biscoitos como um todo, a soma das duas empresas não chega a ser um entrave. A participação combinada de Bauducco e Nestlé gira em torno dos 13%, bem abaixo da líder, a M. Dias Branco, com algo em torno de 31%. O risco de a operação societária encontrar resistências no Cade vem de prateleiras específicas. Em cookies, por exemplo, a Bauducco tem algo como 43% de market share. A Nestlé, com marcas como Passatempo Cookies e Negresco Cookies, teria aproximadamente 8%. Ou seja: juntas, passam de metade das vendas totais no Brasil. Em biscoitos recheados, a concentração também é relevante. A participação conjunta de Nestlé e Bauducco fica na faixa de 40%. Não se trata de um nicho periférico. Os recheados representam 24,4% de todo o mercado brasileiro de biscoitos, a maior categoria individual do setor. Nos chamados choco biscuits, ou biscoitos cobertos, o recheio seria ainda menos palatável para os integrantes do Cade. Estima-se que os dois grupos detêm 55% de market share. Consultada pelo RR, a Bauducco não quis se pronunciar sobre o tema. A Nestlé seguiu o mesmo caminho, dizendo que “não comenta especulações de mercado”.

A princípio, os acionistas da Bauducco pretendem vender apenas uma participação minoritária, conforme informou o Pipeline, do Valor Econômico, no último dia 5 de agosto. O apetite da Nestlé, no entanto, seria maior: os suíços estariam dispostos a avançar uma casa e apresentar uma proposta pelo controle da companhia. Por ora, está tudo em aberto. No entanto, independentemente da fatia acionária envolvida, é pouco provável que uma eventual associação entre Nestlé e Bauducco passe incólume pelo Cade, segundo um ex-conselheiro do órgão ouvido pelo RR. Ressalte-se que a ausência de transferência de controle não afasta o escrutínio antitruste. A Resolução nº 33/2022 do Cade estabelece, em seu artigo 10, uma régua específica para aquisições minoritárias entre concorrentes: a compra que conferir participação direta ou indireta de 5% ou mais do capital social ou votante da empresa investida já se enquadra entre os atos sujeitos à notificação, desde que atendidos também os critérios legais de faturamento. A fonte do RR resgata um caso similar, que mostra até onde o Cade pode ir diante de participações minoritárias entre concorrentes. Em 2015, o órgão impôs restrições à Telefónica por causa de sua participação de 6,5% no capital votante da Telecom Italia. A peculiaridade é que a participação societária estava fora do Brasil. Mesmo assim, o Cade teve poder de intervenção porque seus efeitos concorrenciais chegavam até aqui: a Telefónica é controladora da Vivo; a Telecom Italia, da TIM Brasil, concorrentes diretas no mercado brasileiro de telefonia móvel. O acordo firmado com o Conselho obrigou o grupo espanhol a vender as ações da companhia italiana e suspendeu seus direitos políticos até que o desinvestimento fosse concluído. O órgão antitruste também proibiu o acesso e o compartilhamento de informações confidenciais e concorrencialmente sensíveis entre os grupos. Para o Cade, dos celulares da Vivo e da TIM para os biscoitos da Bauducco e da Nestlé é um pulo.

#Bauducco #Nestlé

Hershey’s é uma passa azeda no panetone da Bauducco

3/02/2016
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 A Hershey’s Brasil pretende dar um xeque-mate na Bauducco usando o panetone no lugar da rainha. O diretor geral da empresa norte-americana, Marcel Sacco, quer honrar a sua fama de bom jogador com uma operação de M&A capaz de provocar inveja nos enxadristas mais maquiavélicos dessa área. O xeque é simples e agressivo: um movimento em dois lances, por isso genial. No primeiro deles, a Hershey’s empurrou sua associação com a Bauducco para o desterro. O segundo lance, conforme apurou o RR, é abrir negociações para compra da companhia de panetones ainda neste semestre. A ameaça não é sutil: forçar o preço da empresa para baixo em função da perda de receita com a própria ruptura da joint venture. Os números podem descer ladeira se a aquisição não for fechada. Na partida, a Bauducco terá uma redução de um quarto do faturamento de R$ 2 bilhões e 20% do lucro de R$ 150 milhões. A Hershey’s promete sangrar progressivamente a antiga parceira, tomando mercados que estavam antes compartilhados.  A família Bauducco sempre poderia buscar um outro investidor para ajudar a suportar o tranco. Aliás tentou inú- meras vezes antes. Agora, contudo, a posição da Hershey’s no tabuleiro é quase invencível, inclusive, porque ela é o maior insider da Bauducco, além de deter a condição de piorar bastante as expectativas do negócio da ex-associada. A Hershey’s não ganha pouco com a operação. Incorporaria cinco fá- bricas – em São Paulo, Minas Gerais e Alagoas -, uma rede de distribuição nacional e a liderança absoluta nas vendas de panetones. A oferta da Hershey’s inclui troca de ações e pagamento em dinheiro, o que deverá diminuir a resistência da família à venda da Bauducco. Procurada, a Hershey’s assegura que não pretende comprar a ex-sócia e que a dissolução da joint venture ocorreu de forma amigável. Já a Bauducco preferiu o silêncio. Aparentemente, Sacco teria o tempo a seu favor. Cada mês de erosão do faturamento da Bauducco facilitaria a negociação. Ocorre que o executivo tem um panetone de cimento amarrado à sua cabeça. A Hershey’s aceitou o plano de desfazer a joint venture e comprar a Bauducco, mas exigiu da filial uma performance extraordinária. A ordem é triplicar a receita de R$ 300 milhões até 2019, com um crescimento anual de 25%. Sem a Bauducco, Sacco dificilmente atingirá a meta imposta pela matriz

#Bauducco #Hershey’s

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