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Economia
E se a Rússia interromper as exportações de trigo?
3/08/2026- [addtoany]
A advertência lançada pela Rússia sobre a possibilidade de interrupção das exportações de trigo acendeu um sinal de alerta não apenas no Ministério da Agricultura, mas também na Fazenda. O temor é que uma eventual paralisação dos embarques russos produza um efeito dominó sobre as cotações internacionais, encareça as importações brasileiras e abra uma nova frente de pressão inflacionária. E, o que é pior para o governo, em plena campanha eleitoral. A ameaça de suspensão das exportações de trigo da Rússia vem da intensificação dos ataques ucranianos contra navios comerciais, terminais portuários e corredores marítimos usados pelo país adversário no Mar de Azov e no Mar Negro. Nesse contexto, o grau de exposição do Brasil à importação do cereal explica a apreensão. Segundo as projeções mais recentes, o país deverá consumir entre 11,8 milhões e 12,5 milhões de toneladas de trigo no ciclo 2026/27, mas produzirá pouco mais de seis milhões. As importações deverão ficar em torno de sete milhões de toneladas. Em outras palavras, perto de 60% do trigo consumido no Brasil dependem de fornecedores externos. Ou seja: o pão nosso de cada dia dos brasileiros pode ficar mais caro às vésperas da eleição.
A vulnerabilidade brasileira não decorre exatamente de compras diretas relevantes da Rússia. A Argentina é, de longe, a principal fornecedora, normalmente responsável por 70% a 80% do trigo importado pelo país. O risco está na formação internacional dos preços. Se a Rússia reduzir ou suspender seus embarques, compradores da África, do Oriente Médio e da Ásia terão de buscar trigo na Argentina, na União Europeia, no Canadá, na Austrália e nos Estados Unidos. Essa procura adicional elevaria a cotação do trigo argentino e, consequentemente, o custo de reposição dos moinhos brasileiros. A preferência tarifária do Mercosul garante ao Brasil acesso privilegiado ao produto da Argentina, mas não o protege da valorização internacional. Os exportadores argentinos venderão pelo preço que reflita as melhores alternativas disponíveis no mercado mundial.
No Brasil, o aumento chegaria primeiro aos moinhos, que importam trigo e formam seus custos com base nas cotações internacionais e no dólar. Depois, seria repassado, em maior ou menor intensidade, à farinha, ao pão francês, às massas, aos biscoitos, aos bolos e a uma extensa cadeia de produtos industrializados. Uma alta simultânea do cereal e da moeda norte-americana produziria uma dupla pressão sobre os preços domésticos.
Há ainda um segundo canal de transmissão. Se o trigo se tornar muito mais caro, produtores de ração e indústrias alimentícias podem ampliar o uso de milho e outros substitutos. Isso tenderia a sustentar também as cotações do milho, com reflexos sobre os custos de produção de frangos, suínos, ovos e leite. O choque deixaria, portanto, de ficar restrito às padarias e alcançaria uma parcela maior da cesta de alimentos.
A preocupação da Fazenda não se limita ao impacto estatístico no índice de preços. No limite, uma inflação de alimentos mais resistente dificulta a redução dos juros, comprime a renda disponível das famílias e atinge com maior intensidade a população de menor renda.
O peso da Rússia
A dimensão da ameaça dá uma medida do possível choque. A Rússia é o maior exportador mundial de trigo e deverá responder por aproximadamente 47 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, algo próximo de 22% do comércio global do cereal. A União de Exportadores e Produtores de Grãos da Rússia calcula que uma interrupção prolongada poderia retirar entre 30 milhões e 35 milhões de toneladas do mercado. No limite superior, seria o equivalente a cerca de três quartos das vendas russas e 16% de todo o trigo comercializado internacionalmente.
No início de julho, a Rússia chegou a interromper a navegação pelo canal Don-Azov depois que drones ucranianos atacaram 13 embarcações na região. A rota, conectada ao estreito de Kerch, responde por até um quarto das exportações russas de grãos.
Posteriormente, o tráfego foi retomado com restrições, redução da circulação e maior controle sobre a entrada e a saída de navios.
A transferência de parte das cargas para os portos russos do Mar Negro apenas deslocou o gargalo. Três grandes terminais, dois em Novorossiysk e um em Taman, restringiram a recepção de grãos por caminhão diante do aumento dos riscos e do congestionamento provocado pelo redirecionamento dos embarques. Juntas, essas instalações têm capacidade para movimentar mais de 20 milhões de toneladas por ano, diante de exportações marítimas russas próximas de 50 milhões de toneladas.
Novorossiysk, maior porto russo em volume movimentado e responsável por até um terço das exportações de grãos do país, também proibiu a circulação noturna de embarcações. Em Taman, um ataque de drones teria causado danos significativos a um dos principais terminais exportadores. A combinação de navios atingidos, restrições operacionais, congestionamento terrestre e aumento dos prêmios de seguro levou a União de Exportadores e Produtores de Grãos da Rússia a advertir para a hipótese de bloqueio completo dos corredores do Mar Negro.
Agronegócio
Estimativa sobre a produção de trigo no sul ainda é um voo no escuro
20/05/2024- [addtoany]
A estimativa de que a área plantada de trigo no Rio Grande do Sul será 11% menor na próxima safra ainda é tratada no Ministério da Agricultura como um cálculo preliminar e pouco preciso. A demora na descida dos níveis da água nas principais regiões produtoras é um obstáculo para a área técnica da Pasta aferir o tamanho do estrago. Na verdade, são duas medições em uma só: a extensão de terras que já havia sido semeada – o período de plantio começou exatamente no início do maio, estendendo-se até julho – e o impacto das chuvas sobre essas regiões. Na própria equipe de Carlos Fávaro, não falta quem considere as declarações do ministro, dizendo que o governo não pretende aumentar as exportações e que não existe perspectiva de impacto das enchentes sobre os preços do trigo, demasiadamente otimistas e precipitadas.
Agronegócio
Governo avalia propostas para mitigar prejuízos dos produtores de trigo
17/11/2023- [addtoany]
A Frente Parlamentar da Agricultura pressiona o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, para que o governo lance medidas de apoio aos produtores de trigo, notadamente do Rio Grande do Sul. Após as secas do ano passado, a safra atual foi duramente atingida pelas chuvas provocadas pelo El Niño. O principal pleito da bancada ruralista é para que a Conab faça leilões públicos para a compra do trigo tipo exportação. Seria uma forma de conter a queda dos preços e cobrir parte das perdas impostas aos agricultores. Nos últimos 12 meses, o valor do trigo acumula uma redução em torno de 25% no mercado interno. Estimativas da própria Conab indicam uma queda de 30% na produção no comparativo com a safra anterior. O El Niño é duplamente danoso: além de afetar o desenvolvimento das plantas, as fortes chuvas impedem o acesso de máquinas às lavouras, atrasando o cronograma de colheita.
Agronegócio
Governo amplia o socorro aos produtores de trigo
30/10/2023- [addtoany]
O Ministério da Agricultura decidiu aumentar o pacote de ajuda aos produtores de trigo. Segundo o RR apurou, além dos dois leilões de compra do cereal previstos para amanhã, a Conab vai realizar ao menos mais duas operações semelhantes na primeira quinzena de novembro. Os recursos reservados pelo governo para a aquisição de trigo, por meio do Prêmio de Escoamento de Produto (PEP), deverão subir dos R$ 400 milhões previstos inicialmente para cerca de R$ 600 milhões.
Nos leilões de amanhã, a estatal pagará R$ 79,17 pela saca de 60 kg, mas há forte pressão da bancada ruralista para que esse valor seja aumentado nas próximas aquisições, como forma de compensar os agricultores pelas fortes perdas acumuladas. Atualmente, a saca do trigo no mercado interno está cotada por volta dos R$ 55. Trata-se de um preço muito abaixo do patamar mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura para a safra de 2023: R$ 87,77 para o trigo Tipo 1 e R$ 75,19 para o Tipo 2.
Brasil pode virar farelo no mercado de trigo
17/11/2020- [addtoany]
O Brasil corre risco de sofrer uma “Moratória do trigo”. Por “moratória” entenda-se um boicote por parte dos países compradores de alimentos derivados do cereal, notadamente da Europa e da América do Sul. Segundo informações filtradas do próprio Ministério da Agricultura, já há sinalizações neste sentido em decorrência da crescente possibilidade do governo Bolsonaro aprovar a importação e, posteriormente, a produção de trigo transgênico. Guardadas as devidas proporções, seria um movimento similar ao capitaneado por grandes grupos internacionais, a exemplo de Walmart, Carrefour e McDonald ´s, que se recusam a comprar soja produzida em áreas devastadas da Amazônia.
O boicote seria um golpe duro para a indústria brasileira de alimentos a base de trigo, no momento em que o Brasil tem conquistado novos mercados e ampliado consideravelmente suas exportações. No primeiro semestre, as vendas para o exterior de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados cresceram 73% em relação ao mesmo período no ano passado. A ministra Tereza Cristina vem usando do seu poder de articulação para administrar um cabo de guerra entre a indústria e o campo em torno do assunto.
A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) já se manifestou de forma veemente contra a importação de uma nova variedade transgênica do cereal aprovada recentemente na Argentina – o país vizinho atende a mais de 60% da demanda brasileira pelo insumo. Alegam que não há testes suficientes acerca dos riscos à saúde e tampouco sobre o impacto ambiental. Por essa razão, a indústria brasileira de alimentos teme se tornar um pária no mercado internacional. Por outro lado, há uma pressão dos grandes produtores e da bancada ruralista para que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), aprove o uso da semente HB4, desenvolvida na Argentina. Ela se mostrou bastante resistente às secas.
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O trigo, ao que parece, é o grão da discórdia no momento: a indústria pressiona a Camex (Câmara de Comércio Exterior) a prorrogar por mais três meses a isenção tarifária para a importação do produto de países de fora do Mercosul. O setor teme uma nova disparada dos preços do cereal, com o aumento da demanda no fim do ano. No entanto, nos gabinetes do Ministério da Economia, o RR ouviu que Paulo Guedes e cia. não vêm com simpatia a prorrogação da medida. O entendimento da equipe econômica é que a isenção tarifária não surtiu o efeito esperado no preço do trigo e de seus derivados; Somente em novembro, a farinha subiu 20%.
Trigo pode virar pimenta nas relações entre Brasil e Argentina
3/12/2019- [addtoany]
Pode ser até coincidência… Mas no momento em que os “comunistas” Alberto Fernández e Cristina Kirchner estão prestes a assumir o Poder na Argentina, o governo Bolsonaro planeja facilitar o aumento da participação de outros países nas importações brasileiras de trigo – quase um mercado cativo dos hermanos. O primeiro da lista são os Estados Unidos. Segundo fonte do Ministério da Agricultura, a cota de 750 mil toneladas isenta de taxação oferecida aos norte-americanos é apenas o hors d’oeuvres. A ideia é aumentar gradativamente esse volume a partir de 2020, independentemente de contrapartidas. De Trump para Putin, a Rússia é outro país que poderá ser paulatinamente beneficiado por cortes nas barreiras alfandegárias. Competitividade para isso não lhe falta. Nos últimos três meses, o trigo russo tem chegado aos portos brasileiros a um preço médio de US$ 252 a tonelada, contra US$ 260 do argentino. O movimento do governo brasileiro pode acicatar as relações bilaterais, na esteira do seu efeito potencial sobre a balança comercial argentina. O trigo da Argentina é quase hegemônico entre as importações do cereal. Do volume total que chega ao Brasil, 83% vêm dos vizinhos – de janeiro a setembro, foram 5,1 milhões de toneladas.