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Política
A (por ora) frustrada viagem de Michelle aos Estados Unidos
10/08/2026- [addtoany]
Por pouco Michelle Bolsonaro não foi visitar o Pato Donald, o Mickey Mouse e o Pateta. No bojo da estratégia de que a eleição também se ganha de fora para dentro, foi discutida por Michelle, Damares Alves e outras integrantes da távola redonda da ex-primeira-dama uma visita aos Estados Unidos. Michelle não é candidata à Presidência nesta eleição, mas é candidata ao seu próprio fortalecimento político. E sabe que para onde vai espocam flashes e são escritas matérias. O passeio, digamos assim, seria tratado como uma viagem extraoficial, com visitas a cultos evangélicos e entidades ativistas na defesa da mulher. O tour não teria qualquer caráter diplomático. Seria uma senadora potencialmente eleita fazendo uma viagem de estreitamento de laços com o país que mais apoia o protagonista do seu clã político, seu marido, Jair, e seu enteado e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. “Eu vim para aprender e relatar nossas experiências”, diria Michelle. Portanto, nada de campanha declarada, mas, sim, uma instrumentalização consentida do sobrenome Bolsonaro, que também se tornou um ativo político de Michelle. Em suma, um jogo de ganha-ganha.
A principal entusiasta do passeio era Damares, que considera qualquer aproximação com os EUA um fortalecimento estratégico da direita. E Michelle, se Flávio não ganhar em 2026, pode ser uma carta-chave no baralho de 2030. Mas as malas não chegaram a ser feitas. Depois de muito pensada, a viagem aguou. Se Michelle está usando o acompanhamento full time do marido como sua principal peça de marketing, não seria a hora de fazer turismo nos EUA, ainda que houvesse um discurso subliminar de que seus encontros com a sociedade civil norte-americana pudessem ter um retorno positivo para a imagem de Flávio. Em segundo lugar, há o fator Eduardo Bolsonaro. Ele e a madrasta se odeiam, e teria de ser montada uma logística e construída uma narrativa para que o desencontro não desembocasse em dividendos negativos para a campanha de Flávio. Em terceiro, vem uma variável que se confunde com o propósito de maior exposição da ex-primeira-dama. Quando a mídia soubesse que Michelle estava em terras do Tio Sam, iria persegui-la até encontrá-la e fazer as perguntas que a virtual senadora não quer ouvir, Flávio não quer que ela responda e mesmo um Jair debilitado politicamente poderia considerar uma atitude desastrada.
Finalmente, há o foco no mutismo em relação a Flávio, como chamou a atenção o arguto colunista Lauro Jardim, na edição de ontem de O Globo. Desde que Michelle aceitou o aparentemente teatral pedido de desculpas pelos maus-tratos de Flávio, calou-se em relação ao enteado e não apareceu ao seu lado. Na távola redonda de Michelle, o desaparecimento é calculado. Mas digamos que mais à frente, em momento crucial da campanha, ela surgiria energizada e ativa, tomando também para si a responsabilidade pelo legado do sobrenome Bolsonaro. A estrela da festa dividiria com Flávio os louros pela eleição. Saudada como uma “Evita” em versão madrasta, a então “senadora das mulheres”, jovem, evangélica, caridosa e com habilidade política testada, estaria livre e solta para muscular sua imagem. Bem, do enredo acima, certo mesmo é que havia a intenção da viagem e que ela foi melada. E que Michelle aprendeu a gostar de fazer política. Mas e se o Donald de carne e osso identificasse em Michelle uma fundamental aliada no presente e uma aposta alternativa para a Presidência em 2030? Se o próprio Trump ou a primeira-dama Melania Trump fizesse um convite qualquer a Michelle? Viver uma história em quadrinhos na vida real? Tomar um sundae no Magic Kingdom? No gibi da bolsolândia, qualquer tirinha pode ser pintada.
Política
Michelle Bolsonaro chama para si a missão de juntar os cacos da direita
24/07/2026- [addtoany]
O dia do perdão recíproco entre Flavio e Michele Bolsonaro é uma ação emergencial do clã na tentativa de unir o arco da direita. Hoje, no início da tarde, o QG de campanha de Flávio parecia um amontoado de desesperados. Estabeleceu-se uma tour de force para atrair todos os nomes e grupos dispersos, que, nos últimos dias, passaram a ter convicção da vitória de Lula nas eleições. O recalcitrante Tarcísio de Freitas é um dos alvos primordiais. O governador está sendo pressionado a se engajar ao movimento, assim como os partidos aliados que ensaiam sair pela tangente. Trata-se de um chamamento também ao empresariado. As conversas passam pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, arqui-inimigo de Lula. Hoje pela manhã circulavam informações sobre a possibilidade de colocação de faixas na sede da entidade atribuindo ao presidente da República a responsabilidade pelo tarifaço e fazendo menções associando-o ao comunismo. Há também uma convocatória a líderes religiosos e parlamentares representativos da direita, como Damares Alves, que ajudou no apaziguamento entre Michelle e Flavio. O movimento extrapola as fronteiras políticas brasileiras e vai até Washington. Como uma última alternativa, um tiro de canhão, está sendo feito um esforço ciclópico para convencer Marco Rubio a afirmar, que com a entrada em cena de Flávio, as tratativas voltaram a ser bem conduzidas. Uma declaração nesse sentido alimentaria a narrativa de culpabilização de Lula pelo tarifaço.
Há um enorme senso de urgência na articulação protagonizada por Michelle Bolsonaro – há informações, inclusive, de que o perdão a Flavio valeu à ex-primeira-dama uma verba expressiva do PL para a sua campanha ao Senado. Os tracking recebidos pelo partido mostraram, de uma hora para outra, que Lula abriu ainda mais diferença para o “01”. O risco de entregar a eleição de mão beijada, inclusive já no primeiro turno, aumentou. Rejuntar a direita tornou-se imperativo após o forte impacto da sucessão de bombas contra Flavio: a revelação das ligações promíscuas com Daniel Vorcaro, o célebre vídeo de Michelle contra o enteado e o novo tarifaço de Donald Trump, atribuído pela esquerda a conspiração da família Bolsonaro. Nas últimas semanas, PP, União e Republicanos ensaiaram um distanciamento de Flavio, ao mesmo tempo em que Romeu Zema e Ronaldo Caiado subiram o tom nos ataques ao “01”. Se a direita seguir nesse processo autofágico, a reeleição de Lula é fato consumado. A bola está com Michelle, que numa improvável, mas eventual vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais, vai dar muito mais as cartas do que o horóscopo previa antes do vídeo fatídico.
Destaque
Indecifrável, Michelle Bolsonaro devora a disputa eleitoral
2/07/2026- [addtoany]
Michelle Bolsonaro é hoje uma esfinge eleitoral, capaz de devorar a quem não consegue decifrá-la. A ex-primeira-dama está chacoalhando o imaginário não apenas do eleitorado, mas do próprio universo político. Mesmo experimentadas lideranças, em conversa com o RR, têm manifestado sua dificuldade de decodificar esse corpo de leoa com cabeça de mulher debruçado não sobre Gizé, mas, sim, sobre o Planalto Central. Ontem, em Brasília, corriam as mais diferentes interpretações acerca da sucessão de movimentos feitos por Michelle nos últimos dias – do vídeo de 26 minutos contra Flávio à renúncia à presidência do PL Mulher, passando pelo unfollow nos enteados nas redes sociais. A dispersão entre as distintas leituras já reflete, por si só, o desafio de destrinchar o enigma. A hipótese mais primitiva, pueril até, é que tudo não passou de uma catarse de Michelle em sua despedida da política. Por essa visão, a ex-primeira-dama teria percebido que não pertence a esse ofidiário e que seu destino é mesmo “se dedicar aos cuidados do meu marido e da minha filha”, conforme disse na última segunda-feira ao renunciar à presidência do PL Mulher.
Outra hipótese, aventada por aliados de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, é que Michelle Bolsonaro estaria preparando terreno para um voo-solo na política. Nesse caso, é atribuída ao próprio Valdemar a coautoria do enredo. Teria sido dele a ideia da produção do filmete que abalou o Brasil. Não é de hoje que o presidente do PL demonstra simpatia pela possibilidade de Michelle disputar a eleição à Presidência. Em julho do ano passado, disse com todas as letras que, à exceção de Bolsonaro, a ex-primeira-dama seria a “única a bater em Lula no segundo turno”. Agora mesmo, com a eclosão dos ataques a Flávio, Valdemar declarou à Folha de S. Paulo: “Se perdermos a Michelle, vai ficar muito difícil para nós”.
Por ora, as intenções eleitorais da Sra. Bolsonaro não estão muito claras. Assim como não está claro como Jair Bolsonaro se encaixaria nessa hipótese de Michelle trilhar seu próprio caminho nas urnas. Diante da esfinge, mesmo os defensores dessa versão têm mais dúvidas do que certezas. Seria uma ruptura total em relação ao clã? Um afastamento calculado, com algum grau de anuência do próprio marido? Michelle estaria sendo preparada para assumir a candidatura da franquia Bolsonaro à Presidência da República diante da percepção de que o nome de Flávio ficou inviável após a revelação das promíscuas relações com Daniel Vorcaro? São muitos os devorados aos pés da colossal escultura de pedra que surgiu na política brasileira desde a semana passada. A favor da tese do rompimento, ao menos com Flávio, estaria a constatação de que há um passivo de ressentimentos acumulados entre madrasta e enteados. Se ampliada para o clã como um todo, a versão da ruptura encontraria motivação em um eventual motim da ex-primeira-dama ao papel de subordinação que sempre lhe coube no bolsonarismo, um condomínio masculino, ditado pela consanguinidade: historicamente, Bolsonaro e os filhos não toleram forasteiros. Pode ser, pode não ser.
Como não poderia deixar de ser, tratando-se de uma trama que envolve Brasília, política, difamação e humilhação das mulheres, além de fraudes financeiras, há um capítulo para maiores de 18 anos. Nessa versão, Flávio teria participado de uma das festas de Vorcaro com suas suecas e francesas. Existiriam registros comprobatórios de que o jovem Bolsonaro esteve presente na “orgia”. Pesado, não? Pois bem, a notícia chegou a Michelle. E, assim como chegou a ela, o que impediria de chegar também aos opositores da família em meio à campanha eleitoral? O vídeo, nessa apimentada versão, teria tido o tamanho e a ênfase que uma evangélica praticante, dedicada ao marido e à filha, julgou necessários. Nesse caso, sua reação foi proporcional ao enlameamento que um episódio como esse, entre o “01” e Vorcaro, poderia causar a sua própria vida pública.
Uma quarta hipótese está posicionada na esquina entre a conspiração, a ousadia e o estapafúrdio. Essa versão aproximaria a campanha presidencial de 2026 no Brasil de Florença na virada do século XV para XVI. Neste enredo ao feitio de Maquiavel, tudo não passaria de um grande teatro familiar. A briga seria encenada para produzir comoção, reorganizar o bolsonarismo e, depois, desembocar em uma reconciliação pública, quase épica: o “Dia do perdão”. Michelle, Flávio, os enteados e aliados apareceriam juntos, em nome de um “projeto maior”, da agenda conservadora e da união da direita. Desvario ou uma sofisticada fronteira da arquitetura política? Seria a esfinge dentro da esfinge. Os Bolsonaro se caracterizam por fazer pós-política na era da pós-verdade. Nestes tempos de hipercomunicação atomizada, quem desorganiza os fatos e os embaralha como símbolos costuma ter êxito em guiar a percepção da realidade. Na semiótica do bolsonarismo, o vídeo de Michelle, o unfollow nos enteados, a renúncia ao PL Mulher e, mais adiante, um eventual reencontro público poderiam compor capítulos sucessivos de uma mesma narrativa de queda, expiação e redenção. Nada mais bíblico.
Mas, para cada peça que parece se encaixar nessa tese há outras dez que não se conectam entre si. Para que esse roteiro funcionasse, Flávio teria de aceitar permanecer por dias ou semanas no papel do presidenciável – e filho – humilhado, suportando o desgaste de ver sua candidatura sangrar, sua autoridade ser corroída e sua imagem pública ser submetida a um processo de escárnio. Seria um sacrifício de proporções incomuns, mesmo para uma família acostumada a instrumentalizar a vida privada como ativo eleitoral. Talvez Brasília seja seca demais para essa brisa renascentista.
Este borbulhante caldeirão de versões, contraversões e reversões, ressalte-se, é condimentado por um tempero especial: o silêncio do próprio Jair Bolsonaro. Uma semana depois do vídeo de Michelle, não se tem qualquer notícia se o ex-presidente soube previamente ou não da postagem. Assim como não se sabe como ele reagiu à “superprodução” de sua mulher nas redes e o que disse a ela ou ao filho diante da repercussão que o caso tomou. Para todos os efeitos, Bolsonaro está preso e não pode falar de viva voz. Mas nada o impede de se pronunciar por meio da própria Michelle, de Flávio, de Eduardo ou de Carlos. Ou de próprio punho. Foi exatamente o que ele fez em março deste ano, quando escreveu e deu visibilidade a uma carta defendendo Michelle de críticas de aliados: “Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa”. Agora, em um episódio muito mais grave, Bolsonaro estranhamente – ou seria calculadamente? – silencia. O ex-presidente é a esfinge dentro da esfinge dentro da esfinge.
Em meio a tantas incertezas que se bifurcam, quando não se trifurcam, sobre alguns pontos não há dúvidas. Um deles é que Michelle Bolsonaro construiu um expressivo capital político, notadamente entre o eleitorado feminino e mais conservador. É ela – e não Jair e muito menos Flávio – a ponte mais sólida entre os Bolsonaro e os evangélicos. Há outro fato também incontestável. Ao atear fogo no circo da sucessão presidencial, a ex-primeira-dama atraiu os holofotes na sua direção. O furacão Michelle tem varrido a mídia e as redes, como mostra levantamento feito pelo próprio RR a partir do Google Analytics. A pesquisa tomou como base 12 temas ou expressões de maior repercussão nas mídias do Brasil nesse momento, a saber, por ordem alfabética: “Banco Master”, “Bets”, “Copa do Mundo”, “Daniel Vorcaro”, “Desenrola”, “Donald Trump”, “Flávio Bolsonaro”, “Jair Bolsonaro”, “Lula”, “Michelle Bolsonaro”, “Tarifas + Estados Unidos” e “Taxas de juros”. Nos sete dias que antecederam a postagem do vídeo contra Flávio Bolsonaro, “Michelle Bolsonaro” aparecia em último lugar na comparação com todos os demais temas da pesquisa. Entre 24 de junho e ontem, ou seja, nos sete dias após a publicação do vídeo, a ex-primeira-dama disparou. Tornou-se o quarto tema mais comentado nas redes, atrás apenas de “Copa do Mundo”, “Bets” e “Donald Trump” – com a ressalva de que este último tem um enorme efeito dispersivo, uma vez que é citado em milhares de categorias e circunstâncias. Ou seja: desde a semana passada, Michelle deixou Lula e Flávio para trás em termos de exposição. Enquanto ninguém a decifra, um monolito de pedra confunde todos os oráculos da política.
Política
O que Michelle quer da política só o marido sabe
30/06/2026- [addtoany]
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, tem uma conversa marcada para hoje com Michelle Bolsonaro. Vai falar com a ex-primeira-dama antes mesmo de se reunir com o candidato de seu partido à Presidência da República, Flavio Bolsonaro. Segundo informações obtidas pelo RR, Marcos Pereira, dirigente-mor do Republicanos, também costura um encontro com Michelle até o fim desta semana. De acordo com a mesma fonte, Antônio Rueda, presidente do União Brasil, tem mantido intensa interlocução com a madrasta de Flavio. E o Partido Novo – não obstante ter candidato próprio, Romeu Zema – também enviou sinais de que almeja uma aproximação. Além das mais de 11 milhões de menções nas redes sociais, o vídeo de 26 minutos contra Flavio, postado pela Sra. Bolsonaro na semana passada, pode ter mudado a hidrografia da disputa eleitoral. Ao menos nos últimos dias, o rio passou a correr na direção de Michelle. E foi exatamente esse o ardiloso estratagema que moveu a ex-primeira-dama. Nas entrelinhas, foi como se Michelle tivesse dito: “Venha a mim o vosso reino”. E o reino da direita, ao que parece, está atendendo ao chamamento.
Michelle Bolsonaro cindiu por dentro a candidatura de Flavio Bolsonaro. O cavalo – mais precisamente um Dark Horse – passou encilhado a sua frente. A última e ameaçadora frase de seu inesperado vídeo – “Eu sei mais do que eles pensam” – deixou cartas-chave do baralho na sua mão. O que ela sabe tanto que os demais devem temer? Será sobre Flavio? Eduardo? Carlos? Quem? O quê? Talvez até a pendenga eleitoral no Ceará, motivo da explicação pública para a rachadura familiar, tenha dupla utilidade. Justificaria, como justificou até agora, a ousada rasteira na banda consanguínea do clã. Pode ser.
Mas não é de hoje que Michelle vem mostrando suas unhas para a petizada bolsonarista. Buscando um lugar na prateleira de cima. A situação que foi criada nas atuais circunstâncias leva a um enorme constrangimento. Até prova em contrário, ou seja, uma manifestação formal, tudo leva a crer que Jair sabia do vídeo, uma superprodução do gênero que não foi pensada, decidida e gravada de uma hora para outra. Ao contrário, Jair não saiu da toca para posicionar-se de qualquer maneira em relação ao feito – o que provavelmente seria feito pela voz de um dos filhos dada sua prisão. E deixou para Flávio e os atônitos “flavistas” uma única saída quando inquiridos sobre a inesperada mudança de rota e quem, eventualmente, deve ser ungido como o candidato da direita. “Não há mais o que dizer sobre isso. Bolsonaro já indicou publicamente o filho.”
É até bastante provável que Michelle não queira sair da confortável posição de senadora virtualmente eleita. Menos ainda assumir o papel de vice-presidente coadjuvante dos enteados que a tratam com desprezo. Aliás, com outras palavras, ela se queixa dessa atitude no fatídico vídeo. Mas desejaria se candidatar à Presidência a essa altura do jogo? Faria um movimento extremo de se lançar sem que o marido se manifestasse publicamente? Todas essas perguntas sequer poderiam ser cogitadas até o dia 24 de junho. Porém, ao se vitimizar de uma forma tão, digamos assim, politicamente profissional, trazer para si o papel de maior galvanizadora do eleitorado feminino – aquele que Flávio não tem -, e colar no enteado a pecha de machista e desrespeitoso, Michelle pode estar, sim, operando com maestria uma virada de mesa.
A ligação com Vorcaro mina a votação de Flavio entre o eleitorado feminino e conservador, leia-se evangélico, exatamente o terreno político por onde Michelle se movimenta com fluência e forte capacidade de sensibilização. Ao confrontar Flavio, com uma só cajadada, questionou sua autoridade política e sua capacidade de conduzir o espólio eleitoral de Jair Bolsonaro sem contaminar o projeto com seus próprios passivos. Mais do que isso: colocou uma pulga de algumas toneladas na balança da direita. Dirigentes partidários que até dias atrás orbitavam em torno de Flavio passaram a buscar Michelle, direta ou indiretamente. O movimento revela uma reacomodação silenciosa: a direita começa a testar se a ex-primeira-dama é apenas uma voz de veto ou se já se posiciona como potencial cabeça de chapa. As pesquisas parecem gostar da moça. Não por acaso, sondagens realizadas desde 2023 vêm mostrando Michelle como um dos nomes da direita com menor rejeição e melhor desempenho nesses grupos específicos. A ver se as próximas pesquisas, com a sua inclusão em novas comparações, confirmarão sua vantagem comparativa em relação ao enteado em um certame com Lula, o favorito na disputa eleitoral até agora.
A ascensão de Michelle desorganiza e reorganiza a direita e representa uma notícia desconcertante para a campanha de Lula. Ao longo dos últimos anos, o PT estruturou boa parte de sua estratégia eleitoral na reedição da polarização com o bolsonarismo em sua forma mais tradicional. Uma candidatura de Flavio preservaria essa lógica: seria possível associá-lo diretamente ao legado político e às controvérsias acumuladas pelo governo Jair Bolsonaro, mantendo a disputa no terreno em que o lulismo já travou e venceu uma eleição presidencial. Michelle, porém, desloca o eixo desse confronto. Sua imagem pública é construída sobre atributos distintos: mulher, mãe, liderança de grande influência entre os evangélicos e personagem menos identificada com o embate político cotidiano. Caso sua candidatura ganhe densidade, o Planalto será obrigado a reconstruir parte importante de sua estratégia eleitoral. O lulismo deixaria de enfrentar apenas um sobrenome para ter um confronto com um perfil político diferente, com capacidade de ampliar as fronteiras eleitorais do bolsonarismo e tornar muito mais complexa a narrativa de uma disputa baseada exclusivamente na rejeição ao legado do ex-presidente.
Política
Candidatura de Michelle Bolsonaro ganha corpo dentro de casa
27/10/2025- [addtoany]
A resistência de Jair Bolsonaro à candidatura de Michelle Bolsonaro está se diluindo, mesmo com a objeção dos filhos e da miríade de candidatos do centro e da direita que aguardam sua benção, segundo uma fonte próxima do clã do ex-presidente. Estão no aguardo, em ordem de maior ou menor afinidade, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho e Eduardo Leite. Entre os filhos, que lideram a bronca contra a candidatura de Michelle, Carlos Bolsonaro ruge ao somente se falar sobre o assunto. Mas o que interessa mesmo é a decisão de Bolsonaro sobre quem será ungido. A cônjuge Michelle se mostra cada vez mais disposta a ir para o “sacrifício”. Se for liberada para mostrar as garras irá, nos palanques, muito além da promessa já feita de se “levantar como uma leoa” em defesa dos valores conservadores. Quanto a Bolsonaro, ele iniciou o período de potencial apoio a um candidato descartando de saída a esposa da competição. Logo depois, o nome de Michelle evoluiu para uma candidatura ao Senado. Transita agora como possível candidata à vice-presidência da República. A próxima prateleira? Aos políticos que têm recebido em sua prisão domiciliar, Bolsonaro diz que, se as pesquisas consagrarem Michelle como candidata competitiva, seguirá firme com ela, esteja no palanque ou no cárcere, independentemente da vontade de alguns “compadres da direita”. Como é sabido, Michele não tem poucos trunfos: é mulher, discursa com fervor e emoção e, o maior cacife, ganha, na partida, do marido algo como 30% do eleitorado. Agora, a candidatura depende só das sondagens eleitorais.
Destaque
Michelle Bolsonaro prepara carta aberta às mulheres brasileiras
10/10/2025- [addtoany]
Eduardo não amava Tarcísio, que não amava Carlos, que não amava Michelle, que não amava Flavio… Em meio a tamanho desamor, é Michelle Bolsonaro quem mais parece se aproveitar das disputas travadas no âmago do bolsonarismo. Segundo uma fonte próxima à família, ganha corpo a ideia de que a ex-primeira-dama lance uma carta aberta às mulheres. Seria uma manifestação com alta carga emocional. Michelle ressaltaria a importância das mulheres se unirem em torno de questões como família, valores tradicionais e fé – palavras que ressoam nos palanques da extrema direita.
Ela aproveitaria a missiva pública para passar a mensagem de “força” e “resiliência” diante do “sofrimento” causado pela prisão de seu companheiro. De certa forma, um spoiler desse discurso já foi dado em recente entrevista ao jornal britânico The Daily Telegraph, quando Michelle afirmou que iria se levantar “como uma leoa” para defender os valores conservadores e o marido. A carta aberta seria um forte rugido político.
A ideia do manifesto já teria a concordância de Jair Bolsonaro. Vez por outra, o ex-presidente especula que Michelle seria um bom nome para vice-presidente. Aos poucos, no entanto, surgem movimentos que parecem sugerir uma virada de ponta-cabeça nesse raciocínio, com a possível ascensão da ex-primeira-dama à posição de cabeça de chapa. Com Bolsonaro encarcerado em prisão domiciliar, é Michelle quem tem cumprido uma intensa rotina de aparições públicas. Na última terça-feira, participou de um ato em Brasília, quando foi ovacionada pela militância.
Se Lula pavimentou o caminho à Presidência com a Carta Aberta ao Povo Brasileiro, em 2002, a “Carta Aberta à Mulher Brasileira” seria um movimento contundente para galvanizar o nome de Michelle entre o eleitorado feminino. Em quase todas as pesquisas, a ex-primeira-dama aparece à frente dos demais possíveis candidatos da direita entre esse público.
Some-se a isso sua notória influência entre os evangélicos. Entre 2010 e 2022, data do último censo do IBGE, esse grupo religioso subiu de 21,6% para 26,9% da população brasileira. Entre os eleitores, essa participação já passa de 30%. Invariavelmente, Michelle se dirige aos evangélicos em atos públicos. Foi assim no 7 de setembro, na manifestação pró-anistia em São Paulo, quando disse que sua liberdade religiosa estava sendo “perseguida”, afirmou acreditar na “justiça divina” e que “nossa nação vai ser livre dessa ditadura judicial”.
Juntos, esses dois estratos do eleitorado, mulheres e evangélicos, são os dois maiores ativos políticos da ex-primeira-dama e responsáveis por manter seu nome em alta nas sondagens. Segundo o agregador de pesquisas do Poder360, que reúne resultados de seis institutos entre janeiro e setembro deste ano, Michelle é a possível candidata que mais se aproxima de Lula em um eventual segundo turno: 46,3%, contra 47,7% do presidente da República.
Outro dado merece destaque: se Jair Bolsonaro optar por apoiar um bolsonarista puro-sangue, de dentro do clã, entre aqueles que carregam o sobrenome, Michelle é quem encontra a menor resistência entre o eleitorado. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última terça-feira, seu índice de rejeição é de 61%, inferior ao do inelegível marido (61%) e ao do enteado Eduardo (68%).
Destaque
“Michelle golpista” desponta como uma candidata sob medida para a extrema direita
29/01/2025- [addtoany]
O principal cabo eleitoral da candidatura de Michelle Bolsonaro à Presidência da República é o bolsonarista mais próximo do governo de Donald Trump. Trata-se de Eduardo Bolsonaro. O “03” teria, inclusive, conversado sobre o assunto com o guru político da extrema direita mundial, o marqueteiro Steve Bannon, a quem sabidamente desfruta de acesso direto.
Eduardo não é Jair, que não é Flavio, que não é Carlos. Mas é o que bate mais forte. E deve ganhar maior dimensão com o governo Trump. Melhor para a ex-primeira-dama. Jair Bolsonaro é um grande eleitor, mas não é o melhor personagem para fazer a chancelaria de Michelle no exterior.
Graças a essa circulação conduzida por Eduardo, a percepção é que a candidatura da Sra. Bolsonaro tende a crescer de fora para dentro. Isso no momento em que a ambiência doméstica também lhe é favorável. Michelle, que até o último final de semana era virtual candidata do PL ao Senado Federal ou à vice-Presidência da República, galgou 10 mil degraus em um domingo.
Os novos trechos da delação do tenente-coronel Mauro Cid, publicados pelo colunista Elio Gaspari, mexeram fortemente com o algoritmo político-eleitoral de 2026. A “Michelle golpista” surge para preencher um vazio deixado pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro: com ela, o bolsonarismo volta a ter um candidato competitivo à Presidência de extrema direita.
A personagem que emerge da delação de Mauro Cid é uma primeira-dama que participou ativamente das discussões travadas no Palácio do Planalto e no Alvorada após a eleição de Lula e defendeu uma ruptura institucional capaz de assegurar a permanência de Bolsonaro no Poder. No cálculo político bolsonarista, o que menos importa é o risco de criminalização de Michelle.
O que para uns é visto como um escândalo, para outros é uma insígnia. Trata-se de uma construção com forte potencial de turbinar o apelo da ex-primeira-dama junto à parcela mais leal de seguidores do marido.
Nem Romeu Zema nem Ronaldo Caiado trajam de todo o figurino do candidato da extrema direita, apesar de vez por outra se travestirem como tal, mais por pragmatismo do que por essência. O próprio Tarcísio Freitas talvez corresponda ainda menos a esse perfil. Não obstante a proximidade e o sentimento de lealdade em relação a Bolsonaro, o governador de São Paulo está longe do arquétipo de um radical.
Ele pode até ser enquadrado como um conservador, mas não se tem registros de Freitas defendendo intervenção militar, proferindo discursos de ódio contra grupos identitários, desprezando vacinas ou dizendo que o aquecimento global é invencionice. Pelo contrário. Há uma semana, por exemplo, o governador anunciou a criação de um Conselho de Mudanças Climáticas. É uma agenda que não conversa nem um pouco com o eleitorado cativo de Bolsonaro.
Até então, o nome de Michelle Bolsonaro sempre esteve mais vinculado a uma primeira-dama suave, que colaborava com o marido através da sua inserção religiosa. Os fatos trazidos à tona na delação de Mauro Cid, devidamente reinterpretados pelo eleitorado mais extremista, embaralham essa lógica e aumentam seu status de presidenciável. Michelle parece talhada para defender o legado eleitoral do marido.
Seu nome já é mencionado com fervor em alguns templos neopentecostais que visita. Além de evangélica “ativista”, identificada com um conservadorismo moral e um discurso de defesa dos valores cristãos e da família, Michelle tem carisma e fala ao eleitorado feminino, no qual sempre houve um bolsão de resistência a Jair Bolsonaro. Não bastasse a revelação das denúncias de Mauro Cid, é importante prestar a atenção a outros movimentos políticos recentes. Juntamente com o próprio Eduardo Bolsonaro, Michelle foi a Washington para a posse de Donald Trump.
O que fica para o seu potencial eleitorado é que ela representou Bolsonaro junto a Trump. É sintomática também uma declaração dada por seu marido em recente entrevista. Perguntado sobre a possibilidade de Michelle disputar a eleição à Presidência, Bolsonaro disse “Não tenho problemas, seria também um bom nome com chances de chegar”. O melhor foi a frase seguinte: “Obviamente, ela me colocando como ministro da Casa Civil”.
Foi uma mensagem nada subliminar ao seu eleitor mais fiel, um recado de que ele, Bolsonaro, teria forte influência no governo caso Michelle assumisse a Presidência da República. Seria a sua volta ao Palácio do Planalto.
Destaque
Risco de “domínio do fato” ronda Michelle Bolsonaro
5/12/2024- [addtoany]
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, virtual vice-presidente em uma chapa bolsonarista nas eleições de 2026, vem sendo objeto de discussão jurídica, com finalidade política, sobre a sua participação na articulação do golpe de Estado que por pouco não ocorreu. Michelle não é alvo específico de investigação criminal, digamos assim, mas de interpretação sobre seu enquadramento na teoria do domínio do fato. Que a ex-primeira-dama sabia de alguma parte da armação há pouca dúvida, devido a sua posição privilegiada junto aos artífices da conspiração. Seu cônjuge está indiciado, e o relatório da Polícia Federal, calçado em extensa investigação, aponta para uma lista de envolvidos com indiscutível proximidade com Michelle.
É difícil imaginar que ela, frequentadora do Palácio do Planalto e moradora do Palácio da Alvorada, além de companheira do então presidente Jair Bolsonaro, não soubesse nada das ações em curso. Michelle fez política a gestão inteira de Bolsonaro, colaborando ao máximo para a popularidade do marido. Esteve sempre cotada para ocupar algum cargo político e, agora, é fortíssima candidata a compor uma chapa para a disputa eleitoral em 2026.
Por ser uma das beneficiadas, direta ou indiretamente, é pouco crível que estivesse apartada de todos os acontecimentos e não tivesse se omitido em nenhum momento. Mas até que ponto uma parceira, que até onde se sabe, não participa ou não participou de nenhuma organização da trama golpista, tem qualquer culpabilidade. A teoria do domínio do fato prevê diversas interpretações, podendo migrar tanto do restrito campo jurídico para o campo da política.
Dificilmente ingressa no desejável campo da cientificidade. Na verdade, fora os indiscutíveis participantes do delito, ninguém sabe com certeza quem tinha ciência dos acontecimentos, ainda que estivesse na tênue fronteira do “conhecimento por tabela” sem responsabilidade sobre os fatos.
A teoria do domínio do fato foi orginalmente criada, em 1939, pelo jurista alemão Hans Welzel. Nos anos 60, seria refundada por Claus Roxin, um dos mais renomados influentes doutrinadores do direito penal alemão.
O conceito tem seus contornos dogmáticos e muitas utilidades. O ex-ministro José Dirceu, por exemplo, foi um dos notórios atingidos pela ambígua tese, que lhe custou uma temporada no cárcere. Ressalvadas as devidas diferenças dos casos, a estadia de Michelle na prisão é um dos sonhos do PT. Mas, para se ter uma ideia da complexidade do assunto, a leitura dos juristas invariavelmente se debruça sobre a seminal monografia de Claus Roxin, “Autoria e domínio do fato”.
A obra de referência traz mais incertezas do que definições precisas. Para se ter uma mínima noção da dificuldade de interpretação, seu significado parte de uma premissa incompreensível, que divide os próprios juristas: “Nem uma teoria puramente objetiva nem outra puramente subjetiva são adequadas para fundamentar a essência da autoria e fazer, ao mesmo tempo, a delimitação correta entre autoria e participação.
A teoria do domínio do fato, partindo do conceito restritivo de autor, tem a pretensão de sintetizar os aspectos objetivos e subjetivos, impondo-se como uma teoria objetivo-subjetiva”. Para o jurista brasileiro Luis Greco, estudioso do assunto e crítico da sexagenária teoria e da interpretação de Roxin, ela é limitativa quanto ao alcance causal, ou seja, dificulta a configuração do nexo causal e não o contrário. Cabe tudo na goela desde sapo.
Mas há precedentes relevantes quando o assunto envolve as primeiras-damas. Dona Marisa, a falecida esposa de Lula, esteve ao seu lado durante todo o período em que o presidente “estaria cometendo malfeitorias” e nunca foi citada. É bem verdade que Dona Marisa não protagonizou ação política ativa e nunca foi alvo de suposta continuidade do presidente. Michelle Bolsonaro, por sua vez, tornou-se ainda mais vidraça depois das notícias vazadas, na semana passada, de que ela integraria a chapa bolsonarista como vice de Tarcísio Freitas, cada vez mais considerado o sucessor a ser indicado por Bolsonaro e seu ecossistema nas eleições de 2026.
O ex-presidente não voltaria ao cargo pela frente, mas pelos lados. Ao PT basta qualquer menção singela a Michelle Bolsonaro no contexto do inquérito da Polícia Federal para que o Carnaval do partido seja antecipado para o dia seguinte. Por enquanto são tudo ilações.
Mas há muita gente parruda debruçada na interpretação de que a mais próxima interlocutora do presidente sabia das coisas. Até que ponto isso vai dar em algo, é uma conclusão que pertence ao futuro. Até agora Michelle permanece longe dos fatos e fazendo política acirradamente. Nada está dominado
Política
Bolsonaro transforma posse de Milei em palanque para 2024
29/11/2023- [addtoany]
A posse de Javier Milei vai custar caro para o PL. Jair Bolsonaro quer colocar na conta do partido as despesas com a viagem de boa parte da entourage que o acompanhará a Buenos Aires no dia 10 de dezembro. A cada hora, surge um novo nome na lista. Além dos filhos, da ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e de assessores mais próximos, o ex-presidente pretende tirar uma casquinha da posse de Milei para fazer campanhas às eleições municipais de 2024. A ideia é levar alguns dos candidatos a Prefeituras de capitais do PL, a começar pelo ex-Abin Alexandre Ramagem, que vai disputar a eleição no Rio de Janeiro.
Justiça
Jair Bolsonaro vai deixar o país?
11/08/2023- [addtoany]
Agora, no início da noite, circulou no governo uma informação que é nitroglicerina pura. O ministro da Justiça, Flavio Dino, teria tomado conhecimento de que Jair Bolsonaro pretende viajar novamente aos Estados Unidos nos próximos dias. Bolsonaro se ausentaria do país para fazer exames médicos com o objetivo de verificar o grau de evolução do seu quadro crônico de suboclusão intestinal, que, desde 2019, tem provocado suas repetidas internações hospitalares. A notícia chegou adensada com o detalhe de que o cirurgião Antonio Macedo, médico particular de Bolsonaro, viajaria junto com ele para acompanhar os exames. Sejam quais forem os fatos, a presença de Macedo faria o maior sentido. De acordo com as informações que teriam chegado a Flavio Dino, o ex-presidente viajaria em jato particular, acompanhado da mulher, Michelle Bolsonaro, e de um de seus filhos, Eduardo ou Flavio Bolsonaro. O RR perguntou à assessoria de Flavio Dino no Ministério da Justiça se o ministro confirmava o recebimento da informação e se havia algum impeditivo para Bolsonaro deixar o país. A resposta foi curta, seca e cuidadosa: “Não cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública fazer apreciações nesse sentido”. Era de se prever que não fosse outro o posicionamento da Pasta.
Coincidência ou não, a informação da possível viagem de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos irrompeu no mesmo dia em que a Polícia Federal revelou detalhes comprometedores das investigações sobre o desvio de joias e outros presentes valiosos dados ao Brasil por nações estrangeiras. A PF afirma que os recursos gerados com a negociação desses bens preciosos eram repassados a Jair Bolsonaro em espécie. As investigações sobre as joias nunca chegaram tão perto de Bolsonaro.
Política
PL avalia “esconder” Michele Bolsonaro
5/05/2023- [addtoany]
No rastro da Operação Venire e das acusações de falsificação da carteira de vacinação de Jair Bolsonaro, a cúpula do PL, à frente Valdemar da Costa Neto, está reavaliando a estratégia de exposição de Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama vai iniciar exatamente a partir deste fim de semana uma intensa agenda de reuniões e participações em eventos públicos. Até segunda ordem, o encontro do “PL Mulher” programado para este sábado, em São Paulo, está mantido. Mas, segundo o RR apurou, lideranças do partido no Pará, Paraíba e Rio Grande do Sul já manifestaram a intenção de cancelar eventos com a presença de Michelle marcados para os próximos dias. De acordo com a mesma fonte, ontem no fim da tarde, Valdemar e aliados discutiam a possibilidade de Michelle participar de algumas dessas agendas apenas de forma remota, por vídeo, como maneira de evitar o assédio da imprensa
Uso político da religião preocupa Ministério Público Eleitoral
15/08/2022- [addtoany]
Diante do início oficial da campanha, previsto para amanhã, há uma preocupação no Ministério Público Eleitoral com eventuais manifestações de caráter político em templos e igrejas. Uma das medidas em estudo no MPE é o envio nos próximas dias de uma circular a organizações religiosas, alertando para o cumprimento da legislação, que veda atos de campanha dessa natureza. A iniciativa começou a ser discutida originalmente entre procuradores eleitorais de Roraima e ganhou amplitude nacional dentro do MPE.
Trata-se de um tema sensível, que vem sendo conduzido internamente pelo órgão com o máximo de cautela. Os procuradores estão cheios de dedos quanto ao próprio tom do material a ser distribuído entre organizações religiosas: o entendimento é que ele deve ser cuidadoso e didático. Coincidentemente, um episódio que tangencia as discussões do MPE ganhou notoriedade nos últimos dias.
A primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou no Instagram um vídeo, de agosto de 2021, em que Lula participa de uma cerimônia com lideranças da umbanda e do candomblé. Publicada originalmente pela vereadora Sonaira Fernandes (Republicanos-SP), a postagem associa rituais de matriz africana às “trevas”. O caso é um indício do que pode vir pela frente na campanha, com o uso político de manifestações religiosas – tanto a favor quanto contra. O crescente imbricamento entre líderes religiosos e a política torna a questão ainda mais delicada.
A legislação em vigor – mais precisamente a Lei 9.504, em seu Artigo 37 – veda propaganda eleitoral em bens de uso comum, como templos. No entanto, há movimentos no Congresso para flexibilizar essas regras. É o caso do projeto de lei complementar 112/2021, que cria o novo Código Eleitoral – já aprovado na Câmara e em tramitação no Senado. No Artigo 483, a proposta estabelece que “Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão, as manifestações proferidas em locais em que se desenvolvam atividades acadêmicas ou religiosas, tais como universidades e templos, não configuram propaganda político eleitoral e não poderão ser objeto de limitação.”
Não está fácil
22/12/2021- [addtoany]
O “Arrecadação Solidária”, cenograficamente conduzido pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, deve fechar 2021 com um volume de contribuições da ordem de R$ 10 milhões. Não está fácil para ninguém: no ano passado, a cifra arrecadada bateu nos R$ 15 milhões.
“Criança cabisbaixa”
17/09/2020- [addtoany]
Nem Michelle Bolsonaro escapou dos cortes orçamentários. O Programa Criança Feliz, simbolicamente coordenado pela primeira-dama, perdeu cerca de R$ 100 milhões em verbas com os mais recentes ajustes no Orçamento feitos pela equipe econômica. Já faltam recursos, por exemplo, para bancar as visitas de assistentes sociais a gestantes e crianças inscritas no Programa.
Pinga-pinga
16/04/2020- [addtoany]
O projeto Arrecadação Solidária para o combate à Covid-19, lançado por Michelle Bolsonaro há uma semana, ainda não decolou. Segundo fonte do Ministério da Cidadania, até ontem, no fim da tarde, a campanha havia arrecadado R$ 81,6 mil, abaixo da marca projetada para o período. Nada que um impulso nas redes sociais do governo e do próprio clã Bolsonaro não possa resolver.
Laços de família
4/02/2020- [addtoany]
A primeira-dama Michelle Bolsonaro fará seu début internacional. Vai chefiar a delegação brasileira na 64a Sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres da ONU, que começa no dia 9 de março, em Nova York. Michelle vai apresentar aos demais 166 países participantes da Conferência o projeto “Casa da Mulher Brasileira”, ação do governo federal para o combate à violência contra o sexo feminino. Só não dirá que a secura fiscal e os cortes orçamentários frearam a expansão do programa. A verba anual caiu de R$ 3 milhões para R$ 800 mil e o projeto estacionou no número de cinco unidades. A meta do governo é abrir 20 Casas até o fim do ano. Só não se sabe com que dinheiro.
…
Eduardo e Flavio Bolsonaro estão empenhados em uma missão partidário-familiar: convencer Carlos Bolsonaro a ter um cargo formal na direção do Aliança pelo Brasil. No entanto, o mercurial “02” segue irredutível. É por essas e outras que o estado de espírito de “Carluxo” é permanentemente motivo de preocupação para Jair Bolsonaro.
Esvaziamento
19/12/2019- [addtoany]
Na mudança do Ministério da Cidadania para a Casa Civil, o Pátria Voluntária, comandado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, deverá carregar programas sociais pendurados na antiga Pasta. É uma sessão a mais de lipoaspiração no Ministério de Osmar Terra.
A caminho das redes
19/09/2019- [addtoany]
A primeira-dama Michelle Bolsonaro deve ser a próxima integrante do clã a fazer das redes sociais seu habitat. Sua investida nas mídias digitais seria envernizada por um apelo social, com a apresentação de um canal para deficientes auditivos no YouTube. Michelle se dedica à disseminação da linguagem por sinais.
Madame Bolsonaro
21/06/2019- [addtoany]
A primeira-dama Michelle Bolsonaro fará uma rara aparição em evento público na próxima segunda-feira. Vai a Fortaleza para lançar o projeto “Envelhecimento Ativo e Saudável”. Além de ações de inclusão digital, o programa oferecerá educação financeira para pessoas da terceira idade. Com a reforma da Previdência a caminho, vem mesmo a calhar.
Território dominado
3/06/2019- [addtoany]
O programa de Luciana Gimenez virou a acolhedora sala de estar dos Bolsonaro. Depois do presidente Jair Bolsonaro e do “03” Eduardo, a apresentadora convidou a primeira-dama Michelle Bolsonaro. Trata-se do local certo e da entrevistadora perfeita para a propaganda do bom marido e bom pai.
Presença de Michelle
16/04/2019- [addtoany]
A primeira-dama Michelle Bolsonaro começa gradativamente a ter alguma exposição. Amanhã, representará o governo na cerimônia de apresentação do balanço do “Menina Moça Mulher” – projeto do Instituto Carlos Chagas que atende a adolescentes em situação de vulnerabilidade social e física. Nos próximos dias, passará a despachar em seu próprio gabinete no Ministério da Cidadania, onde cuidará do programa “Viva Voluntário”.