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Justiça
A delação “três em um” de João Carlos Mansur
24/08/2026- [addtoany]
Na Procuradoria-Geral da República, a delação de João Carlos Mansur já ganhou o apelido de “três em um”. Nas negociações para fechar seu acordo de colaboração premiada, o fundador da Reag apresentou informações relacionadas a três operações da Polícia Federal: a Compliance Zero, que apura as fraudes bilionárias em torno do Banco Master; a Quasar, aberta para investigar lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta por meio de fundos de investimento; e a Carbono Oculto, força-tarefa da PF, MP-SP e Receita Federal que mira a infiltração do crime organizado no mercado financeiro e na cadeia de combustíveis. O potencial explosivo da colaboração está justamente na capacidade de Mansur de atravessar investigações que nasceram separadas, mas terminaram se encontrando dentro da mesma teia de fundos e estruturas financeiras administradas pela Reag.
Segundo informações que correm à boca miúda em Brasília, nas negociações com a PGR Mansur teria apresentado documentos e revelado detalhes de operações financeiras envolvendo personagens das três investigações. No capítulo referente à Compliance Zero, aparecem Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. Em relação à Carbono Oculto, o fundador da Reag teria apontado estruturas financeiras utilizadas por investigados por fraudes no setor de combustíveis, a começar por Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. A Quasar, por sua vez, é talvez a peça que melhor explica por que Mansur pode funcionar como uma ponte entre todos esses mundos. Dos 21 fundos investigados, dez passaram pela gestão da Reag. Entre eles aparecem veículos como Gold Style, Celebration, Derby, Wels, Hans 95 e Mabruk II. Há pelo menos uma pista pública bastante concreta sobre o tipo de conexão que Mansur pode esclarecer. O Gold Style, fundo administrado pela Reag, recebeu cerca de R$ 1 bilhão de empresas investigadas na Carbono Oculto. Entre os maiores repasses aparecem recursos da Aster Petróleo e do BK Bank. Na outra ponta, o mesmo fundo transferiu R$ 180 milhões para a Super Empreendimentos, empresa ligada a Fabiano Zettel.