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Ao analisar a venda da FMU para a Ânima Educação – acordo de R$ 560 milhões anunciado na última terça-feira-, o Cade vai julgar para além da operação em si. No limite, o que estará em jogo é a eventual abertura de um preocupante precedente. A Ânima já havia adquirido a FMU em 2021, dentro de um pacote de ativos adquiridos junto à norte-americana Laureate. Na ocasião, decidiu vender a instituição de ensino exatamente como um remédio concorrencial, de forma a facilitar a aprovação da compra das operações da Laureate no Brasil pelo Cade. Agora, cinco anos depois, recompra a FMU. Na prática, é como se os efeitos da medida antitruste adotada em 2021 fossem anulados. Neste contexto, o M&A firmado nesta semana obrigará o Cade a caminhar sobre o fio da navalha. Não quer dizer que seja este o caso da Ânima, mas a aprovação da recompra da FMU poderá abrir uma brecha para que, no futuro, empresas retirem ativos sensíveis de grandes aquisições, obtenham a aprovação antitruste e, alguns anos mais tarde, tentem recuperá-los em uma nova transação. Mesmo que cada recompra venha a ser submetida novamente ao Cade, o expediente poderia a eficácia econômica dos desinvestimentos utilizados para preservar a concorrência. Consultado, o Cade informou que “não se manifesta sobre casos em andamento”. A Ânima não se pronunciou.
Em tempo: o mercado não está conseguindo entender a recompra da FMU. Ontem, as ações da Ânima chegaram a cair cerca de 30%, uma destruição de valor superior a R$ 400 milhões em poucas horas, quase equivalente ao que a empresa desembolsou pelo ativo (R$ 410 milhões) – fora R$ 150 milhões em dívidas. Analistas consideraram a transação cara, atípica e difícil de conciliar com a estratégia que vinha sendo atribuída à companhia: redução da alavancagem, geração de caixa e maior disciplina na alocação de capital. O BTG Pactual rebaixou a recomendação das ações de compra para neutra e reduziu o preço-alvo de R$ 7 para R$ 4.