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Energia
A futura conexão elétrica entre Brasil e Bolívia já está no radar dos grandes grupos de transmissão do país. Segundo informações que circulam no setor, State Grid, Axia e ISA Energia sinalizaram ao Ministério de Minas e Energia interesse em disputar o leilão previsto para abril de 2027. O projeto prevê uma estação conversora de 420 MW em Corumbá, capaz de fazer a ponte entre os sistemas brasileiro, de 60 Hz, e boliviano, de 50 Hz. Quem levar aumenta consideravelmente a potência de seus negócios em transmissão no Brasil. A Axia é vista como a candidata mais forte. O legado da Eletrobras a coloca em uma posição privilegiada. Nenhuma grande transmissora brasileira tem experiência tão diretamente relacionada à natureza do projeto. O grupo já opera três das sete interligações internacionais do sistema elétrico brasileiro e mantém a infraestrutura em corrente contínua associada a Itaipu, criada justamente para transportar ao mercado brasileiro eletricidade produzida em 50 Hz. A conexão com a Bolívia acrescentaria mais um ativo internacional a uma rede de transmissão que soma cerca de 74 mil quilômetros.
A despeito do track record da Axia, State Grid e ISA Energia também têm fichas de sobra para colocar na mesa. A companhia chinesa já opera cerca de 16 mil quilômetros de linhas de transmissão no Brasil e tem em construção o projeto Graça Aranha-Silvânia, uma linha de 1.468 quilômetros em corrente contínua e ultra-alta tensão, de 800 kV, com duas estações conversoras e capacidade de transportar 5 GW entre Maranhão e Goiás. O investimento previsto é de R$ 18 bilhões. A colombiana ISA também pisa fundo no acelerador. Desde 2016, a companhia arrematou 19 lotes em leilões da Aneel, associados a cerca de R$ 15,7 bilhões em investimentos regulatórios. Só em 2025, desembolsou um recorde de R$ 5,1 bilhões. Em julho deste ano, colocou em operação o Piraquê, um dos maiores projetos greenfield recentes do setor, com aproximadamente 1.000 quilômetros de linhas e investimento de R$ 3,85 bilhões. A companhia ainda tem dois grandes empreendimentos em construção, Serra Dourada e Itatiaia, que somam mais de 1,6 mil quilômetros de novas linhas. Sua carteira de reforços e modernização chega a R$ 7,2 bilhões.