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Economia
O governo Lula olha, apreensivo, para a panela do feijão. É lá que fervilha o aumento acumulado, desde janeiro, de 50% nos preços do mais brasileiro dos alimentos. É um caldo com alto risco de entornar nas urnas. Segundo o RR apurou, o Ministério da Agricultura e a equipe econômica discutem medidas para conter a disparada do produto. Entre as iniciativas colocadas sobre a mesa está a redução temporária da tarifa de importação de feijão comprado fora do Mercosul, hoje de 10%. Seria uma maneira de abrir uma válvula adicional de oferta e aumentar a competição com o grão produzido no país. Ao mesmo tempo, a Conab deve aumentar a aquisição de feijão para posterior colocação no mercado, também como forma de pressionar a redução dos preços. No momento, os estoques governamentais não oferecem uma almofada suficientemente grande para uma intervenção desse porte.
A maior preocupação do governo é conter o impacto inflacionário da alta do feijão. Em ano eleitoral, deixar um dos produtos mais populares da mesa brasileira subir quase 50% é permitir que a inflação entre na campanha pela cozinha. Não é hora de estragar um prato que vem sendo bem servido. Em julho, o grupo alimentação e bebidas, que representa cerca de 22% da cesta do IPCA, caiu 0,67%. A alimentação no domicílio recuou 1,14%. O feijão, no entanto, segue na contramão. E, mantidas as atuais condições de temperatura e pressão, o problema tende a se acentuar. A Conab estima produção próxima de três milhões de toneladas nas três safras de feijão de 2025/26, queda de 3,2% sobre o ciclo anterior.