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Aos 44 do segundo tempo, Benjamin Steinbruch ainda tenta trazer a chinesa Sinoma de volta ao tabuleiro da venda da CSN Cimentos, de acordo com uma fonte a par das negociações. O grupo asiático chegou a fazer uma due diligence na fabricante de cimentos, mas não apresentou oferta pelo ativo. O retorno ao game da Sinoma seria um trunfo de Benjamin para esquentar o “leilão” da CSN Cimentos e forçar a também chinesa Huaxin a elevar sua proposta. Considerada a principal candidata ao negócio, a empresa colocou sobre uma mesa um lance em torno de R$ 12 bilhões. Também seguem no páreo a Votorantim Cimentos, em associação com a italiana Cementir, e a Polimix. Benjamin jamais quis – e, no fundo,ainda não quer – vender a sua operação de cimentos. A empresa nasceu de sua ambição de desafiar a liderança da Votorantim e foi montada por meio de aquisições, a maior delas a da LafargeHolcim Brasil. Mas as cartas do empresário estão praticamente esgotadas. Historicamente, Benjamin já esteve em corner em outras oportunidades e, de um jeito ou de outro,recorrendo a equity ou a debt, sempre conseguiu achar uma saída. Desta vez, no entanto, a situação é diferente. As portas do crédito já não se abrem como antes. A CSN carrega uma dívida líquida de R$ 40,5 bilhões, equivalente a 3,36 vezes o Ebitda. Apenas em 2026, os vencimentos somamR$ 9,4 bilhões. A principal espada sobre a cabeça de Benjamin é o empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão contratado em março junto a um pool de bancos internacionais. A operação deu algum fôlego imediato ao caixa da CSN, mas teve um preço elevado. A companhia aceitou pagar juros equivalentes à SOFR acrescida de um spread de 6% ao ano, um custo incomum para um grupo do seu porte e que, por si só, já refletia a percepção de risco do mercado em relação à sua estrutura de capital. Mais do que isso, o empresário teve de dar ações e ativos da própria CSN Cimentos como garantia. É um paradoxo: talvez a única forma de Benjamin não perder a cimenteira seja vendendo-a.