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A AGCO avalia medidas de ajuste para fazer frente ao frustrante desempenho do mercado brasileiro de máquinas agrícolas. Entre as alternativas analisadas, segundo informações que correm no setor, estaria um ajuste ainda mais fino da produção das fábricas no país, de forma a acelerar a redução dos estoques na rede e preparar a companhia para uma eventual recuperação da demanda em 2027. A possibilidade de prolongar a calibragem da produção no Brasil seria uma tentativa de evitar que a fraqueza atual da demanda atravesse a virada do ano carregada nos estoques da AGCO e de seus concessionários.
Há números que ajudam a explicar a cautela. No primeiro semestre, as vendas de tratores no Brasil caíram 11% em relação ao mesmo período de 2025, segundo estimativas da própria AGCO. No caso das colheitadeiras, o tombo foi bem mais acentuado: 39%. A retração atingiu principalmente os tratores de maior potência, justamente os de maior valor agregado. A América Latina, fortemente influenciada pelo mercado brasileiro, sentiu o baque: as vendas da AGCO na região recuaram 25% no segundo trimestre, descontado o efeito cambial, para US$ 271 milhões. O resultado operacional regional caiu US$ 48,7 milhões e a margem ficou negativa em 8%. A companhia já vem manejando a produção como instrumento de defesa. No segundo trimestre, a fabricação na América do Sul ficou cerca de 30% abaixo da registrada um ano antes. E a AGCO pretende manter, ao longo do restante de 2026, a produção aproximadamente 15% abaixo do ritmo das vendas no varejo, numa tentativa de acelerar a redução dos estoques mais antigos nas concessionárias. O estoque regional, que fechou 2025 equivalente a cinco meses de vendas, caiu para quatro meses no primeiro trimestre e aproximadamente três meses e meio em junho. A meta é chegar a três meses.