Mercado
O lento e gradual desmonte da carteira do Softbank no Brasil
A recente decisão do Softbak de vender quatro milhões de ações do Banco Inter, ou 1% do capital total da instituição financeira, vai além de um mero ajuste de portfólio. O que se diz no mercado é que o grupo japonês está conduzindo um desmanche gradual e calculado da sua exposição no Brasil. A ordem de Tóquio seria reduzir riscos, monetizar posições vencedoras e reequilibrar um portfólio que virou um problema. O Inter foi escolhido não por fragilidade, mas justamente por ser um dos ativos líquidos e lucrativos da carteira latino-americana. Com perdas bilionárias acumuladas nos últimos anos e escândalos marcantes — WeWork, Oyo, Greensill e uma sucessão de unicórnios inflados — o SoftBank precisa mostrar ao mercado que retomou disciplina financeira. No novo manual interno, reduzir concentração em emergentes é prioridade.
A operação também tem outro subtexto: mostrar tração para os cotistas dos fundos Vision e LATAM Fund, que pressionam há anos por saídas reais e não apenas reavaliações teóricas. Com IPOs escassos e vários unicórnios latino-americanos travados, o Inter surge como a válvula de escape ideal para gerar caixa rapidamente.
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