A WEG – uma das empresas brasileiras com maior inserção no mercado externo e louvável herói da resistência da desindustrialização do país – avalia um redesenho de sua engrenagem industrial e comercial para reduzir os efeitos do novo tarifaço norte-americano. Segundo informações que circulam no mercado, a direção da empresa discute uma combinação entre transferência de produção, regionalização da cadeia de fornecedores, reajustes de preços e mudanças no perfil das exportações. O desafio é preservar o crescimento nos Estados Unidos. O principal movimento em análise é a substituição de parte das exportações brasileiras pelo aumento da produção local. A companhia já fabrica motores, transformadores e outros equipamentos elétricos em território norte-americano e vem ampliando sua capacidade industrial no país. O movimento é especialmente importante nas áreas de transmissão de energia, óleo e gás e data centers, mercados nos quais a WEG registra demanda elevada e disputa encomendas de maior valor agregado. A produção brasileira continuará servindo aos Estados Unidos, mas tenderia a concentrar-se em equipamentos mais sofisticados, com margens capazes de absorver uma parcela maior do custo adicional. Procurada pelo RR, a WEG não se manifestou até o fechamento desta matéria.
A regionalização da cadeia de suprimentos aparece como outra ação sobre a mesa. Parte dos componentes atualmente enviados do Brasil poderá ser substituída por peças adquiridas nos Estados Unidos, no México ou em outros países da região. Além de reduzir despesas logísticas, a medida elevaria o conteúdo norte-americano dos equipamentos e diminuiria a exposição da empresa a futuras alterações nas regras comerciais. O México ocupa posição central nessa estratégia. A WEG possui unidades industriais no país e pode utilizá-las como plataforma para abastecer o mercado norte-americano. Os produtos que cumprirem as regras de origem do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá podem receber tratamento aduaneiro mais favorável. A operação, contudo, exige transformação industrial efetiva no México. A simples passagem da mercadoria brasileira pelo país não modifica sua origem nem elimina a cobrança.
De acordo com informações apuradas pelo RR, a diretoria também avalia mudanças no mix exportado pelo Brasil. Motores padronizados e equipamentos de menor valor são mais sensíveis à tarifa, pois enfrentam concorrência por preço e oferecem menor espaço para repasses. As medidas vêm no rastro do novo tsunami tarifário do governo Trump. Desde 22 de julho, uma sobretaxa de 25% passou a alcançar uma ampla relação de mercadorias brasileiras, entre elas máquinas e equipamentos. Dois dias depois, entrou em vigor uma cobrança adicional de 12,5%, justificada pelo governo norte-americano por supostas falhas no combate ao uso de trabalho forçado nas cadeias produtivas. Conforme a classificação aduaneira e as exceções aplicáveis, motores, geradores, transformadores e sistemas elétricos produzidos no Brasil podem enfrentar uma sobretaxa combinada de até 37,5%, além do imposto regular de importação.
Em tempo: o mercado parece já precificar que a WEG terá sucesso em sua estratégia para amortecer o impacto da fúria tarifária de Donald Trump. Na semana passada, a ação da companhia chegou a subir 10% em um único pregão após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. A reação, ressalte-se, ocorreu mesmo com a queda de 2,1% do lucro líquido, para aproximadamente R$ 1,56 bilhão. Os investidores concentraram-se na recuperação das operações brasileiras, na rentabilidade acima das expectativas e na capacidade da empresa de preservar seu ciclo de expansão internacional.