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Em outros idos, mais precisamente na gestão Roger Agnelli na Vale, os controladores da empresa não deixavam pedra sobre pedra, ou melhor, minério de ferro sobre minério de ferro. O Brasil tinha duas outras companhias no setor: Ferteco, de capital alemão, e a Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), pertencente ao mítico empresário Augusto Trajano de Azevedo Antunes. Em síntese, o Brasil, mesmo com todas as vantagens logísticas e teor de minério de ferro da Vale em Minas Gerais e Carajás, concorria consigo mesmo. O mercado de minério de ferro era um duelo entre Brasil versus Brasil. Roger Agnelli decidiu raspar tudo. Comprou todas as companhias. Quem quisesse vir falar de ferro com o Brasil só tinha um endereço, o da Vale. Roger apanhou muito por ter criado essa cultura de monopólio. Protagonizou uma guerra concorrencial com a mineradora BHP em que um cobria o preço do outro. No fim a Vale ficou com tudo em território brasileiro. As minas de Benjamin Steinbruch não eram nem inferidas ou medidas. Um pedregulho, cujo valor maior era a logística portuária. Hoje, continuam a ser uma bola de gude para Vale.
Ocorre que, com o avanço da prospecção geológica, começou a se achar mais ferro no Brasil. Jazidas passaram a pipocar em outras regiões. A mais recente, segundo o Valor Econômico, está na Bahia, apresenta um porte de médio para grande e tem como dono a britânica Brazil Iron. Se fosse possível voltar ao passado, a Vale até que poderia adquirir quantas reservas aflorassem no solo. Mas há um novo fator que influencia no custo e nas próprias preferências do governo. No pacote da exploração mineral estão contidas obras de infraestrutura de logística, adequação ao meio ambiente, gestão do entorno e outros benefícios que valorizam o empreendimento e atendem a outras demandas do governo.
Como o minério de ferro é uma das estrelas da pauta de exportações brasileiras, em uma nova corrida colonialista pela posse das commodities, passaríamos a perder soberania e mercados. As sedes fiscais das empresas poderiam migrar para o exterior, e a Vale, mesmo permanecendo um colosso, arrumaria uma sarna para se coçar. Talvez esteja chegando mesmo a hora dos irmãos Batista, da JBS, apresentarem suas armas, e partirem para a aquisição da companhia. Os rumores são intensos. E o governo Lula já deu sinal de que é simpático à ideia – como é simpático a quase tudo que vem de Joesley e Wesley. Os Batista, com sua penetração internacional, criariam a mega companhia de commodities proteicas e minerais do mundo. Uma espécie de “companhia das Índias Brasileiras”, em alusão a das Índias Orientais. A parte final do texto é obviamente especulativa, mas não improvável, pois as informações circulam por aí. E ninguém mais pode ou deve duvidar do poder de fogo de Joesley e Wesley. A Vale, que um dia já foi o sonho de uma vida de Eike, pode parar na mão de outros Batista.