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Energia
A proximidade das eleições colocou a Enel São Paulo em uma gangorra de interesses políticos. O que se ouve em petit comité em Brasília é que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem feito meneios à Aneel no sentido de que o julgamento da caducidade da concessão seja concluído apenas depois das eleições. Seria uma tentativa de evitar que Tarcísio de Freitas capitalize politicamente o “impeachment” da Enel, que virou uma espécie de inimiga pública da população da Grande São Paulo devido às recorrentes falhas no fornecimento de energia. Como se isso fosse mudar o cada vez mais cristalizado resultado da eleição paulista, na qual, indicam as sucessivas pesquisas, Tarcísio entrou para ser reeleito e Fernando Haddad, para cumprir missão e ser derrotado (Leia aqui). Mas a Enel tem, sim, seu valor eleitoral. Tanto que, na outra ponta da gangorra, Tarcísio e parte da bancada de São Paulo no Congresso têm pressionado a Aneel para que a caducidade da distribuidora de energia seja decretada o mais rapidamente possível, de preferência antes de outubro.
Por ora, a Aneel não dá qualquer pista de quando concluirá o julgamento. Mas, passo a passo, os movimentos da agência reguladora não trazem boas notícias para o grupo italiano. Na última terça-feira, a diretoria da entidade rejeitou por unanimidade mais um recurso da Enel e manteve o processo de caducidade. A companhia tem até 18 de agosto para apresentar suas alegações finais. Encerrado esse prazo, a relatora, Agnes da Costa, poderá preparar o voto e levar o caso ao colegiado. Entre o recebimento das alegações finais, a elaboração do voto, sua inclusão em pauta e uma eventual decisão do colegiado, o prazo desse rito é tão imprevisível quanto tem sido a luz em São Paulo.