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Mercado
O mercado passou os últimos dois dias tentando decifrar o movimento da família Randon, que entrou com pedido de oferta pública para trocar ações da Frasle Mobility por até 21,32 milhões de ações ordinárias da Randoncorp. A tese que vem ganhando corpo é que o verdadeiro ativo adquirido na operação não são as ações da companhia, mas a liberdade para redesenhar a estrutura de capital do grupo mais à frente. Ao ampliar o domínio sobre o capital votante, os controladores reduzem a margem de resistência dos minoritários e preparam o terreno para uma reorganização societária de alcance muito maior.Esse redesenho pode assumir diferentes formatos. No mercado, especula-se que um deles seria a unificação das ações ordinárias e preferenciais da Randoncorp, eliminando parte do desconto que o mercado atribui à existência de duas classes de papéis, à baixa liquidez das ON e à complexidade da engrenagem de controle. Outro caminho seria uma redistribuição dos ativos entre a Randoncorp e a Frasle Mobility, hoje o negócio mais internacionalizado, de maior crescimento e mais bem precificado do conglomerado. Em uma hipótese mais ousada, a Frasle poderia consolidar-se como a principal plataforma de expansão do grupo, enquanto os negócios industriais mais cíclicos seriam reorganizados em outra estrutura.
Essas alternativas passam a ser muito mais viáveis quando os controladores deixam de dividir o capital votante com minoritários relevantes. É essa possibilidade, mais do que a simples compra de ações, que ajuda a explicar por que a família aceitou oferecer um prêmio tão elevado pelas RAPT3. A relação de troca atribui às ações ordinárias da Randoncorp um valor 45,5% superior à média dos 90 pregões anteriores ao anúncio. Ainda assim, a conta faz sentido porque o que está sendo adquirido não é apenas participação econômica. É poder político dentro da companhia.
A DRAMD já detém 83,05% das ações ordinárias da Randoncorp. Com a adesão da Previ, que se comprometeu a entregar 9,49 milhões de papéis, a participação sobe para 90,58%. Caso todos os minoritários aceitem a oferta, a família poderá alcançar praticamente a totalidade das ações com direito a voto e se aproximar de 49% do capital total da empresa. Em tempo: a reação do mercado foi positiva. Ontem, as ações ordinárias da Randoncorp dispararam cerca de 41% no primeiro pregão após o anúncio da oferta, enquanto as preferenciais também avançaram. A valorização refletiu o prêmio oferecido aos minoritários, mas também a percepção de que a operação pode representar apenas o primeiro capítulo de uma reorganização mais ampla.