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Em Araras, não na região homônima de São Paulo, mas no distrito de Petrópolis, na Serra Fluminense, colecionadores e milionários locais e de outras plagas estão estudando com a Prefeitura um evento voltado para galeristas. Papa fina! A serra do Rio pode não estar aos pés dos “mercados de pulgas” de Paris ou Londres, mas parelha com os de São Paulo e de Minas Gerais como os maiores e mais diversificados da América do Sul. Vai ser uma espécie de Rock in Rio da velharia.
Uma velharia valiosa, ressalte-se. Alguns dos entusiastas acreditam em um preço médio de R$ 1 mil para os 14.100 itens, de todos os feitios e tamanhos, que serão ofertados. Ou seja: o evento pode movimentar algo como R$ 14 milhões. Desde já se sabe que há uma demanda por escrivaninhas no modelo Luiz XIV. Talvez essa busca esteja de alguma forma vinculada à nova forma do trabalho, notadamente remoto: os notebooks ou tablets cabem charmosamente em cima de uma penteadeira ou de uma pequena escrivaninha.
Poucos lugares no Brasil seriam tão aptos para realização de um evento desses quanto a Serra Fluminense. Na região, há uma razoável expectativa de impulsionamento do turismo e de uma sacudidela na atividade produtiva. Segundo o IBGE, o Brasil tem hoje cerca de 9.200 feiras, a imensa maioria pequenas, voltadas a alimentos e artesanato. Em São Paulo, por exemplo, uma visita à feira do Bixiga ou da Benedito Calixto, com seus 300 expositores fixos, vale cada centavo. Esses antiquários a céu aberto atraem adeptos estrelados. Francisco Gros, ex-presidente do BC, da Petrobras, do BNDES e do Banco do Brasil, era um habitué. Eike Batista, idem. Se os governos não fossem tão pueris e improvisados, poderiam até aproveitar esses raros cantões de comercialização do passado. A memorabília tem um considerável valor econômico, além do potencial de fomentar a indústria de turismo. Mas é querer muito que pequenos merceeiros de outrora, vendedores de quinquilharias do pretérito, sem capacidade de precificação, tenham algum soft power.