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A Oncoclínicas está envolvida em duas frentes de negociação determinantes para a sua própria sobrevivência. Além das tratativas com bancos, debenturistas e demais credores para o alongamento de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras, a companhia tem buscado um redesenho da sua relação comercial com as operadoras de planos de saúde. Sobre a mesa está uma série de temas sensíveis: reajustes nos preços dos tratamentos, prazos mais curtos de pagamento, regras menos draconianas para as glosas, antecipação de recebíveis e modelos de remuneração que deem maior previsibilidade ao caixa. Difícil dizer qual é o osso mais duro de roer: os credores ou as empresas de medicina de grupo. A tentativa da Oncoclínicas de obter condições mais favoráveis junto aos planos de saúde ocorre em um momento de desconfiança do setor em relação à maior rede de clínicas oncológicas do Brasil. As conversas se desenrolam em meio a insistentes rumores no mercado de que operadoras ameaçam descredenciar unidades da Oncoclínicas. Por ora, esse risco está temporariamente afastado. Mais precisamente por 90 dias. Por decisão da Justiça, nesse período, os planos de saúde não poderão descredenciar unidades da rede, rescindir contratos, suspender atendimentos, bloquear agendas ou reter pagamentos.
A decisão da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo se deu no âmbito da recuperação extrajudicial da Oncoclínicas. Ao mesmo tempo, a Justiça concedeu um waiver de 180 dias contra execuções, pedidos de falência e constrições patrimoniais relacionadas aos créditos submetidos à recuperação. Na prática, a Justiça deu à Oncoclínicas uma janela para tentar resolver simultaneamente os dois lados de sua equação: ganhar fôlego para reestruturar a dívida e preservar as receitas necessárias para continuar funcionando.
A Oncoclínicas enfrenta uma delicada situação financeira. Para além do elevado endividamento, no primeiro trimestre deste ano a receita líquida recuou 22%, para R$ 1,16 bilhão, enquanto o Ebitda ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões. O prejuízo líquido mais do que triplicou, alcançando R$ 438,7 milhões, ante R$ 131,9 milhões em igual período no ano passado.