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Justiça
Como se não bastassem as investigações da PF sobre os negócios escusos entre o BRB e o Banco Master, as seguidas operações da Polícia Civil do Distrito Federal contra o banco estatal têm aumentado a temperatura política em Brasília. Há um forte clima de tensão no entorno do ex-governador e candidato ao Senado Ibaneis Rocha (MDB-DF). Ontem, no início da noite, circulavam na capital federal rumores de que novas diligências policiais estariam engatilhadas para os próximos dias. Entre aliados de Ibaneis, cresce a percepção de que o governo de Celina Leão (PP-DF), candidata à reeleição, estaria estimulando uma devassa na instituição financeira com o objetivo de colar irregularidades na gestão de seu antecessor. Cavoucar fundo no BRB permitiria a Celina posar como responsável por uma “limpeza” na instituição financeira e, assim, se desvincular das suspeições que pairam sobre o ex-governador. Não custa lembrar que ela era vice de Ibaneis durante todo o processo de negociação com o Master.
A leitura de aliados do ex-governador é alimentada também por declarações recentes de Celina. Na semana passada, por exemplo, em entrevista à Globonews, a governadora do Distrito Federal disse com todas as letras que Ibaneis errou ao indicar o “megalomaníaco” Paulo Henrique Costa para a presidência do banco estatal.
As duas operações recentes da Polícia Civil atingem áreas sensíveis do BRB. Em maio, a corporação deflagrou uma operação contra suspeitas de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo servidores do banco. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, com bloqueio de contas, de veículos de luxo e de um imóvel no Distrito Federal. Em junho, veio nova pancada: a Operação Parasitas prendeu sete pessoas, entre elas três servidores do BRB, por suspeita de descontos associativos não autorizados em contas de aposentados e pensionistas. A apuração indica que mais de 3,5 mil contas podem ter sido atingidas.