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A ofensiva da VLI para comprar o projeto do Terminal de Uso Privado (TUP) Porto de São Luís junto à Cosan suscitado diferentes interpretações no setor. Há quem veja a aquisição do ativo como um movimento da holding de logística para assegurar desde já capacidade portuária adicional capaz de acompanhar o crescimento dos volumes transportados pela Ferrovia Norte-Sul e pela Estrada de Ferro Carajás. Por essa lógica, a VLI, controlada por Brookfield, Vale e Mitsui, retomaria de imediato a construção do terminal – o investimento não é nada trivial: o custo total está estimado em R$ 3 bilhões. Na contramão, há no mercado uma outra leitura, bem mais provocativa, sobre a operação. Segundo uma fonte do setor ouvida pelo RR, a VLI estaria disposta a desembolsar R$ 300 milhões e simplesmente se sentar em cima do projeto, sem necessariamente prosseguir com a construção do terminal no curto ou médio prazos. O objetivo seria fechar a porta e evitar que outro operador ocupe uma das principais alternativas de expansão portuária do Maranhão e passe a disputar cargas que hoje alimentam seu próprio sistema. “Uma estratégia à la Real Madrid, que, às vezes, compra um jogador promissor apenas para impedir que ele vá parar no Barcelona”, diz, com ironia, a fonte do RR. Procurada, a VLI respondeu que “não comenta especulações de mercado”.
A hipótese de uma aquisição defensiva ganha força porque a VLI não parece premida pela necessidade de colocar imediatamente de pé um segundo grande terminal em São Luís. A companhia acaba de anunciar R$ 80 milhões em investimentos no Terminal Portuário São Luís, o TPSL, que já opera no Porto do Itaqui e é a saída marítima de seu Corredor Norte. As intervenções, previstas para terminar no primeiro trimestre de 2027, elevarão em aproximadamente 23% a capacidade de expedição marítima, de 3 mil para 3,7 mil toneladas por hora, e em 33% o fluxo interno de grãos. Em 2025, o TPSL movimentou quase 5,8 milhões de toneladas. Antes de colocar alguns bilhões de reais em um projeto que há praticamente uma década tenta sair do papel, como é o caso do terminal em São Luís, a VLI tem espaço para extrair mais capacidade do terminal que já possui. A empresa, portanto, compraria hoje o direito de decidir amanhã quando, quanto e para quais cargas ampliar sua capacidade portuária em São Luís.