Nova capitalização da Aegea opõe GIC e Itaúsa – Relatório Reservado

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Nova capitalização da Aegea opõe GIC e Itaúsa

  • 16/04/2025
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A Aegea enfrenta as dores do crescimento. A vitória no leilão de saneamento do Pará, na semana passada, aumentou a pressão sobre a companhia no que diz respeito à necessidade de reforço da sua estrutura de capital. Esse é um assunto sensível interna corporis. Entre os sócios – GIC, fundo soberano de Cingapura, Itaúsa e Equipav – há um consenso de que a empresa precisa levantar um volume expressivo de recursos para fazer frente à crescente exigência de investimentos em suas concessões.

O que não existe é convergência em relação à forma. De acordo com informações filtradas pelo RR, o GIC – um colosso soberano com mais de US$ 800 bilhões em ativos e detentor de 19% do capital votante da companhia – é favorável a um novo aporte dos acionistas ainda neste ano, mais substancial do que o realizado em março. Há cerca de um mês, os três investidores injetaram R$ 420 milhões na Aegea. Dessa vez, a cifra ultrapassaria a marca de R$ 1 bilhão.

Ocorre que a ideia de uma nova capitalização em um curto espaço de tempo não teria a simpatia da Equipav e, sobretudo, da Itaúsa, donos, respectivamente, de 71% e 10% das ações ordinárias. O GIC quer aumentar sua participação na Aegea. A capitalização seria também um oportuno instrumento adotado pelos asiáticos para eventualmente forçar a diluição da fatia acionária dos demais sócios.

Mas, estratégia por estratégia, a Itaúsa também tem a sua. A holding da família Setúbal reza por outra cartilha: quer o IPO da Aegea, mesmo que a operação possa demorar algum tempo devido às condições adversas do mercado. E não esconde o seu voto de ninguém.

No fim do ano passado, em entrevista ao Valor Econômico, o diretor-presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal, defendeu a abertura de capital da Aegea em bolsa. No mercado, o que se diz é que a Itaúsa enxerga o IPO como uma porta para reduzir ou mesmo se desfazer integralmente da sua posição acionária na Aegea. Ou seja: ao contrário do GIC, os Setúbal não estariam dispostos a colocar mais dinheiro novo, mas, sim, a realizar o que já investiram. Procurada pelo RR, a Aegea não quis comentar o assunto.

Também consultada, a Itaúsa não se manifestou. A capitalização de março, ressalte-se, ocorreu antes do leilão de saneamento do Pará. Por mais que a participação da Aegea no certame já estivesse precificada no aporte, o resultado da licitação ficou acima do esperado e trouxe uma nova realidade para a empresa. É hora de fazer contas e mais contas.

A Aegea arrematou três dos quatro blocos ofertados pelo governo paraense. Com isso, assumiu um pacote de investimentos superior a R$ 15 bilhões, além do pagamento de R$ 1,4 bilhão em outorgas. Esse valor se soma aos mais de R$ 66 bilhões em desembolsos obrigatórios assumidos pela companhia em suas demais concessões, no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Piauí.

Até o momento, a Aegea tem buscado funding essencialmente em operações de debt, mas tudo tem limite. Essa estratégia trouxe como um inexorável efeito colateral a escalada do nível de alavancagem. Entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024, a relação dívida líquida/Ebitda saiu de 3,7 para 4,3 vezes. E segue em curva de alta.

#Aegea

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