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A montadora chinesa Dongfeng tem encontrado obstáculos para iniciar a produção de veículos elétricos no Brasil. Segundo informações filtradas pelo RR, o projeto de utilizar a fábrica da Nissan em Resende, no Sul do Rio de Janeiro, que já era dado como certo, engatou uma marcha a ré. O acordo enfrenta resistências dentro da companhia japonesa. A principal voz contrária seria a do próprio CEO da Nissan Americas, Christian Meunier.
O executivo tem defendido internamente que a prioridade da empresa é recuperar participação na região e executar o novo ciclo de investimentos da fábrica de Resende antes de comprometer capacidade industrial com veículos de terceiros. Ressalte-se que as duas montadoras dividem uma joint venture na China desde 2003. No entanto, ao menos para a Nissan, o que é bom no mercado chinês não é necessariamente bom para o mercado latino-americano. Procurada, a Dongfeng não se manifestou até o fechamento desta matéria. A Nissan, por sua vez, saiu pela tangente: a empresa informou ao RR que “mantém parcerias globais com diversas empresas, incluindo a Dongfeng, como parte de sua estratégia global, e, naturalmente, avaliamos continuamente oportunidades que possam gerar valor para o negócio e para nossos clientes. No entanto, não comentamos especulações de mercado”.
De acordo com a fonte do RR, diante do impasse a Dongfeng já mantém conversas com outras montadoras no Brasil em busca de um “cantinho” de fábrica para produzir seus automóveis. O ziguezague ameaça mudar o cronograma idealizado pelos chineses, que previa originalmente o início da fabricação no país já em 2027. Antes, a Dongfeng pretende iniciar, ainda neste ano, a comercialização no Brasil de dois modelos de carros elétricos – o hatch Box e o SUV Vigo -, ambos importados da China. Não é de hoje que a empresa ensaia sua entrada no mercado brasileiro. Nos últimos dez anos, a montadora, controlada pelo governo chinês, avaliou diferentes formatos de ingresso no país, mas acabou recuando. Desta vez, porém, o cenário é outro. O avanço acelerado dos veículos eletrificados, as mudanças na política tarifária brasileira e a necessidade de consolidar presença na América Latina criaram uma janela de oportunidade que a montadora não pretende desperdiçar.