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O anúncio da volta de Alessandro Carlucci à presidência da Natura provocou uma reação bipolar no mercado. De um lado, uma onda de euforia que levou a ação a subir mais de 9% no pregão de ontem – línguas ferinas da Faria Lima atribuem a disparada menos ao revival de Carlucci e mais à saída de João Paulo Ferreira, desgastado pelos tropeços recentes da operação brasileira; do outro, uma boa dose de apreensão. Os investidores tentam decodificar os sinais trocados emitidos pela Natura. A volta de Carlucci parece contradizer a estratégia da companhia nos últimos quatro anos. Desde 2022, a Natura empenhou-se em desmontar o império internacional construído na década anterior. Vendeu a Aesop para a L’Oréal, transferiu a The Body Shop para a Aurelius, desfez-se da Avon International na Europa, África e Ásia e, por fim, negociou a operação russa da Avon. É justamente aí que a escolha de Carlucci ganha um simbolismo difícil de ignorar. Foi em sua primeira gestão como CEO, entre 2005 e 2014, que a empresa começou a ganhar o mundo, com a compra da australiana Aesop.
Doze anos depois de deixar a presidência, Carlucci retorna para comandar quase o negativo fotográfico daquela Natura. A empresa que ele ajudou a lançar para fora do continente passou os últimos anos fazendo a viagem de volta. Reduziu a estrutura corporativa, abandonou a ambição de ser uma plataforma global multimarcas e concentrou seu futuro em Natura e Avon na América Latina. Em março, ao apresentar os resultados de 2025, a companhia dizia ter finalmente concluído a “simplificação corporativa” e estar pronta para um novo ciclo apoiado justamente nessa estrutura menor e mais regional. O movimento fica ainda mais intrigante porque Fábio Barbosa volta simultaneamente à presidência do conselho. Foi Barbosa quem liderou a reorganização da estrutura de capital e a venda de Aesop, The Body Shop e Avon International. Ou seja: a Natura coloca lado a lado, novamente no topo, o executivo associado ao primeiro impulso de expansão internacional e o executivo que comandou seu desmonte. A companhia chama isso de continuidade. O mercado ainda tenta entender qual das duas Naturas vai prevalecer.