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Política
O Ministério da Agricultura discute medidas para impedir que a redução da safra de milho neste ano se transforme em uma fonte de pressão sobre a inflação dos alimentos. Entre os instrumentos no radar estão a utilização de estoques reguladores da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), eventual flexibilização das importações caso haja necessidade de reforçar a oferta doméstica, leilões de abastecimento e novas linhas de crédito para estimular a comercialização e a formação de estoques privados. Em ano eleitoral, todo cuidado é pouco. O alerta dentro do governo ganhou força após a consultoria Agroconsult revisar para baixo sua estimativa de produção, projetando uma colheita cerca de 10 milhões de toneladas inferior às previsões iniciais. O ponto de atenção está na redução do excedente disponível justamente em um momento de crescimento acelerado da demanda interna. A expansão das usinas de etanol de milho criou um novo polo consumidor, que passou a disputar o cereal com a cadeia de proteínas animais. Esse movimento tornou o mercado doméstico estruturalmente mais apertado e mais sensível a oscilações de produção. É justamente aí que reside o risco inflacionário. O milho representa a principal matéria-prima da ração utilizada na criação de aves e suínos e exerce influência relevante também sobre a pecuária leiteira. Uma valorização persistente do cereal tende a ser repassada, ainda que com defasagem, para os preços de frango, ovos, carne suína e derivados, itens com peso importante no IPCA.