LONGi entra na corrida por armazenamento de energia no Brasil – Relatório Reservado

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LONGi entra na corrida por armazenamento de energia no Brasil

  • 9/06/2026
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A ofensiva chinesa no mercado brasileiro de energia vai ganhar uma nova frente. O RR apurou que a LONGi, uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos fotovoltaicos, decidiu trazer para o Brasil a sua operação de storage, entrando no que tende a se tornar um dos negócios mais disputados e cobiçados na próxima etapa da transição energética. O objetivo da companhia é consolidar no país o tripé geração solar-armazenamento-hidrogênio. O que está por trás é uma estratégia global que teve seu movimento mais contundente até o momento no fim do ano passado, com a aquisição da PotisEdge, desenvolvedora de sistemas de armazenamento de energia com operações industriais concentradas em Suzhou, na China. Essa iniciativa deu origem a uma nova vertical de negócios, a LONGi Energy Storage, que já acumula mais de 13 GWh instalados em todo o mundo. A empresa conta com capacidade anual de 31 GWh, com plano de expansão para mais de 100 GWh até 2028, o que a colocará no pelotão de elite dos grandes conglomerados de armazenamento de energia do mundo, como BYD e Tesla.

A decisão da LONGi de investir em armazenamento energético no Brasil beira um exercício de fé. O país ainda está longe de ter um arcabouço regulatório para o armazenamento de energia. No último dia 2, a Aneel, enfim, aprovou as primeiras regras específicas para o segmento, um passo inicial. Mas ainda há muito a percorrer: entre outras lacunas, falta definir de forma mais clara como as baterias serão remuneradas, quais receitas poderão ser acumuladas, em que condições o armazenamento poderá prestar serviços ao sistema, como será o despacho pelo ONS, qual será o tratamento tributário e como os projetos serão financiados. Um teste relevante está previsto ainda para este ano: o governo marcou para os dias 2 e 4 de dezembro os dois primeiros leilões de contratação de baterias.

Não obstante as incertezas regulatórias, sobretudo para projetos utility-scale, a percepção na LONGi é que este é um estágio natural já observado em outros mercados que passaram por processos semelhantes de transição energética. O cálculo é que a janela de entrada é agora, justamente antes de o mercado estar plenamente formado. Quando a regulação estiver madura, os modelos de remuneração definidos e os primeiros leilões consolidados, o espaço já terá sido ocupado pelos fornecedores que chegaram antes, educaram clientes, firmaram parcerias e ajustaram tecnologia às particularidades do sistema elétrico brasileiro. Para a LONGi, o risco de eventualmente entrar cedo demais parece menor do que o risco de chegar tarde. Há também uma leitura estratégica. O armazenamento tende a se tornar a peça que faltava para destravar a próxima onda da energia solar no Brasil. Sem baterias, o avanço da geração fotovoltaica esbarra em curtailment, excesso de oferta em determinados horários, pressão sobre a rede e dificuldade de entregar energia nos picos de consumo. Com storage, a solar deixa de ser apenas geração intermitente e passa a disputar espaço como solução de suprimento mais firme.

Fundada em 2000, na cidade de Xi’an, pelo investidor Li Zhenguo, a LONGi atua em mais de 150 países. Com faturamento global na casa dos US$ 11 bilhões, tem fábricas não apenas na China, mas também na Malásia e no Vietnã. A aposta no Brasil não se limita aos grandes leilões. A LONGi também mira aplicações comerciais e industriais, segmento em que baterias podem ganhar tração antes mesmo de uma regulação mais sofisticada para projetos de grande porte. Indústrias, data centers, agronegócio e grandes consumidores já têm incentivo econômico para usar storage como ferramenta de gestão de ponta, redução de custos e segurança no suprimento.

Outro ponto pesa a favor das baterias: velocidade. Enquanto uma térmica pode levar de três a seis anos entre licenciamento, contratação e construção, sistemas de armazenamento costumam ser implantados em 12 a 24 meses. Além disso, respondem em milissegundos a oscilações do sistema, característica que os torna especialmente úteis para serviços ancilares, contingências e atendimento a picos instantâneos de demanda. A LONGi também quer evitar a armadilha de ser apenas mais uma fornecedora de equipamentos chineses em um mercado pressionado por preço. A empresa pretende vender uma solução integrada, com engenharia, software e sistemas de gestão das baterias. Seu pacote inclui PCS, BMS, EMS, controle térmico e monitoramento em nível de célula, tecnologia que a companhia apresenta como diferencial para reduzir riscos operacionais, sobretudo eventos de fuga térmica.

#Energia #LONGi

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