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Fertilizantes
A diplomacia brasileira está tentando encontrar enxofre onde ainda houver enxofre disponível. Diante do agravamento da escassez da matéria-prima para a produção de fertilizantes, o Itamaraty intensificou negociações internacionais para aumentar o volume importado pelo Brasil. Segundo informações que circulam no setor, as tratativas mais avançadas envolvem Polônia e Cazaquistão. No caso polonês, o que está em jogo é a abertura de uma nova rota de importações. Hoje, os embarques vindos do país europeu são praticamente residuais. Em relação ao Cazaquistão, há peculiaridades. A antiga república soviética tornou-se o maior fornecedor brasileiro de enxofre nos primeiros meses deste ano, mas passou a restringir suas exportações no fim de junho.
A urgência brasileira é proporcional ao choque internacional. O Oriente Médio respondeu por mais de 45% do comércio marítimo mundial de enxofre em 2025, e o conflito na região atingiu produção e embarques. No fim de junho, os preços internacionais chegaram à faixa de US$ 1.100 a US$ 1.200 por tonelada FOB, acima inclusive dos picos das crises de 2008 e 2022. O Brasil é especialmente vulnerável. O país importou aproximadamente 2,3 milhões de toneladas de enxofre em 2025 e depende quase integralmente do exterior. O setor informou ao Itamaraty que precisa encontrar cerca de 250 mil toneladas adicionais por mês nos próximos meses. Em todo o primeiro semestre, porém, as compras externas somaram apenas 709,4 mil toneladas, queda de 41,9% sobre o mesmo período de 2025. Ou seja, uma média de 118 mil toneladas por mês, abaixo da necessidade da indústria. A escassez se reflete nas fábricas: a Mosaic voltou a reduzir em julho a produção de fosfatados no Brasil em razão da falta e do custo das matérias-primas.
O Itamaraty busca resolver o problema para ontem. Enquanto isso, o Legislativo volta a recorrer à velha receita de criar um programa. O Senado aprovou na última quarta-feira o Profert, destinado a estimular a construção de fábricas e a expansão e modernização das existentes, com previsão de até R$ 5 bilhões em incentivos entre 2027 e 2031. A iniciativa tem cheiro de enxofre. Ela se junta ao Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050, lançado no governo Bolsonaro, que, até agora, de fértil não teve nada. Que o Profert tenha um destino diferente. Mas, a princípio, parece nascer para engrossar a pilha de siglas criadas em Brasília e que não resolvem coisa alguma.