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Governo usa Caixa Econômica para destravar até R$ 8 bi em projetos climáticos
O governo tem uma nova missão reservada para a Caixa Econômica. A ideia é que o banco assuma um papel no fomento de projetos vinculados a metas climáticas, funcionando como um hub de captação e redistribuição de recursos para estados e municípios. A estratégia vem sendo desenhada a várias mãos: Ministério da Fazenda, Casa Civil e Ministério do Meio Ambiente, além da própria direção da instituição financeira. Segundo informações filtradas pelo RR, a Caixa está preparando uma nova fornada de fundos ambientais a serem lançados no primeiro semestre de 2026. Estimativas internas indicam o potencial de levantar até R$ 2 bilhões. Em modelos desse tipo, a expectativa é operar com um fator multiplicador de até quatro vezes. Ou seja: esse valor pode gerar até R$ 8 bilhões em investimentos efetivos. O trabalho de captação começou durante a COP30. Dirigentes da Caixa cumpriram uma intensa agenda de encontros com agência de desenvolvimento, organismos multilaterais e fundos internacionais. O primeiro passo concreto foi o acordo com o Fundo Verde para o Clima (GCF, na sigla em inglês), instrumento da ONU para financiar ações contra as mudanças climáticas em países em desenvolvimento. A parceria com o GCF prevê a possibilidade de até US$ 250 milhões em aportes em fundos administrados pela Caixa.
O ponto central da iniciativa é que os recursos amealhados pela Caixa desaguem para programas atrelados a metas climáticas conduzidos por entes subnacionais. Na mira, projetos em áreas críticas, como drenagem urbana, contenção de encostas, segurança hídrica, resiliência de estruturas como pontes e túneis, entre outros. É o circuito da tragédia que ronda, sobretudo, cidades pequenas, potencializado pelos extremos climáticos. A Caixa já dispõe de um veículo com esta finalidade, o Fundo de Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (FIRECE). Como o nome sugere, ele foi criado para financiar a reconstrução de infraestruturas pós-desastres climáticos, notadamente no caso das enchentes do Rio Grande do Sul. O intuito é ampliar seu alcance para financiar projetos de prevenção e mitigação de riscos em municípios de pequeno e médio porte. No pano de fundo, há também um cálculo político e fiscal. Ao estruturar fundos e não apenas linhas tradicionais de crédito, o governo tenta avançar na agenda climática sem pressionar diretamente o orçamento federal, transferindo parte do risco e do financiamento para o mercado.
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