Governo trabalha para abrir mercado japonês à carne brasileira até julho – Relatório Reservado

Política externa

Governo trabalha para abrir mercado japonês à carne brasileira até julho

  • 28/04/2026
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O Itamaraty e o Ministério da Agricultura correm contra o relógio para cumprir a meta de abrir o mercado japonês à carne bovina brasileira até julho. Trata-se de uma árdua tarefa. Ainda há uma razoável ladeira para se subir. Até o momento, as autoridades japonesas não deram sequer uma pista de quando pretendem encerrar a análise de dados sanitários e estruturais do sistema brasileiro. O trabalho se arrasta há mais de seis meses. Em março, o Japão encaminhou uma missão de inspeção, que percorreu frigoríficos e fazendas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os dados levantados ainda terão de passar pelo escrutínio do Comitê de Saúde Animal japonês. O Brasil, embora tenha avançado no status sanitário — com grande parte do território reconhecida como livre de aftosa sem vacinação —, ainda enfrenta desafios na padronização nacional de rastreabilidade, ponto sensível para Tóquio.

Como se não bastasse a notória relevância diplomática e comercial do acordo, a abertura do mercado japonês ganha ainda mais importância em ano eleitoral. Para o governo Lula, seria uma vitrine rara: a combinação de política externa, agronegócio e geração de divisas em uma única entrega. A eventual autorização de Tóquio permitiria ao Palácio do Planalto vender a narrativa de que conseguiu destravar um mercado premium, historicamente resistente à carne brasileira, em benefício direto de frigoríficos, pecuaristas e exportadores.  O Japão é hoje o terceiro maior importador global de carne bovina, com compras externas da ordem de US$ US$ 5 bilhões e volume superior a 700 mil toneladas anuais. O mercado é amplamente dominado por Estados Unidos e Austrália, que juntos concentram cerca de 80% das vendas internacionais para os japoneses. Para o Brasil, trata-se de um prêmio relevante: além do volume, o mercado japonês paga preços médios mais elevados, com tíquetes que podem superar em 20% a 30% os valores praticados em destinos tradicionais.

 

#Ministério da Agricultura

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