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Governo
O governo Lula tem mais uma crise para administrar nos Correios. O imbróglio da vez diz respeito aos 77 mil participantes ativos e sete mil aposentados e pensionistas do Postalis, o fundo de pensão da estatal – diga-se de passagem, 84 mil eleitores. Corre à boca miúda em Brasília que entidades representativas de beneficiários da fundação – a exemplo da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), de sindicatos ligados à Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT) e de sindicatos estaduais (Sintects) – se mobilizam para entrar na Justiça. O objetivo é derrubar a cobrança extraordinária que retira aproximadamente 24% dos salários e das aposentadorias para cobrir o déficit do Postalis. A mordida em quem menos tem é resultado dos planos de equacionamento criados para recompor rombos bilionários do fundo. Os funcionários e aposentados não querem participar dessa “socialização” das recorrentes perdas do Postalis.
As entidades trabalhistas ligadas aos Correios costumam ser boas de briga. A própria ADCAP trava há anos uma batalha judicial contra o BNY Mellon, apontado como um dos responsáveis por perdas bilionárias do Postalis. A associação move ações no Brasil e nos Estados Unidos para buscar a reparação de prejuízos atribuídos à gestão de investimentos do fundo e a responsabilização dos envolvidos. O contencioso virou uma das principais frentes dos participantes contra a transferência do rombo para seus contracheques. Em 2018, o Ministério Público Federal também ajuizou uma ação contra o BNY Mellon, cobrando do banco mais de R$ 8,2 bilhões em ressarcimentos por prejuízos no Postalis. O contencioso permanece aberto, sem que esse montante tenha retornado ao fundo. A cifra dá a dimensão do buraco: o plano mais antigo da fundação, o Plano de Benefício Definido (PBD), fechado à entrada de novos participantes desde 2008 e no qual se concentra a maior parte do desequilíbrio financeiro da fundação, chegou a acumular déficit de R$ 7,79 bilhões.