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Política
Após riscar o fósforo, Flávio Bolsonaro está tentando jogar água no etanol. Segundo informações filtradas pelo RR, o candidato do PL à Presidência tem procurado empresários e interlocutores do setor sucroenergético para amainar o estremecimento provocado por suas recentes declarações contra o aumento da mistura de álcool na gasolina. Entre os nomes que gravitam nessa tentativa de reaproximação estão Rubens Ometto, controlador da Cosan e principal acionista brasileiro da Raízen, e José Odvar Lopes, fundador e presidente do Conselho de Administração da Inpasa. Os dois têm pontes com o bolsonarismo. Ometto mantém há anos canais políticos com esse campo. No caso de Odvar, a conexão ganhou um componente adicional em julho, quando o empresário convidou Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” de Jair Bolsonaro, para integrar o Conselho Consultivo da Inpasa.
Há duas semanas, durante uma transmissão pelas redes sociais, o senador afirmou que, caso seja eleito, pretende rediscutir o teor de 32% de etanol anidro misturado à gasolina. Disse que “a gasolina virou etanol” e comparou a nova composição do combustível à “reduflação”, expediente pelo qual fabricantes diminuem a quantidade de um produto sem reduzir proporcionalmente o preço. O candidato foi além e levantou dúvidas sobre possíveis danos aos motores. Para um setor que acaba de ganhar demanda adicional justamente com a adoção do E32, a declaração soou como a antecipação de uma ruptura em relação à atual política adotada pelo governo Lula. A reação veio em bloco e em tom incomum para entidades empresariais. Unica, União Nacional do Etanol de Milho, Bioenergia Brasil, Feplana, Unida e Orplana divulgaram uma nota conjunta de repúdio às declarações do senador. Segundo as organizações, a comparação feita por Flávio desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, atravessando governos de diferentes orientações ideológicas.