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Política
O QG de campanha de Flávio Bolsonaro está burilando um projeto para remodelar o Conselho Nacional de Segurança Pública (CNSP). A ideia em estudo é dar musculatura política e operacional ao colegiado. Hoje, o CNSP é um “órgão de natureza consultiva e sugestiva”, conforme reza a Lei nº 13.675. Ou seja: zero de relevância e poder. Está mais para um “Conselhão” – o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, uma espécie de benchmarking de instância fantasma no governo federal. A proposta discutida entre assessores de Flávio é transformar o CNSP em um gabinete estratégico na definição e coordenação de políticas de segurança pública em conjunto com os estados. Entre as novas atribuições estaria, por exemplo, a gestão da Força Nacional de Segurança.
Entre os nomes aventados para comandar o Conselho estão Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio, e Guilherme Derrite. Ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas e ex-procurador-geral de Justiça do estado, Gaspar construiu boa parte de sua trajetória pública em torno do combate ao crime organizado e do endurecimento da legislação penal. Candidato ao Senado por São Paulo, Derrite é um dos nomes da área mais identificados com o bolsonarismo. Policial militar de origem, deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, participou da elaboração das propostas de segurança da campanha de Flávio.
A pesquisa Nexus/BTG, divulgada no fim de julho, apontou a segurança pública como a maior preocupação entre os brasileiros, com 30% das menções. Ficou à frente de saúde (25%) e corrupção (22%). Melhor para Flávio Bolsonaro. Essa área é um ativo eleitoral praticamente exclusivo dos Bolsonaro. Lula e o PT sempre tiveram dificuldade de trazer o tema para si. Na mesma pesquisa Nexus/BTG, 47% apontaram piora na segurança pública nos últimos quatro anos. Dos consultados, 34% atribuíram o problema ao governo Lula.