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Agronegócio
A divulgação de um Plano Safra da Agricultura Familiar 9,1% maior do que o do ano passado está longe de encerrar os impasses em torno do financiamento do setor. Um dos principais focos de fricção é o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Movimentos sociais, cooperativas, bancos públicos e parlamentares da Frente da Agricultura Familiar pressionam não apenas pela ampliação dos recursos disponíveis, mas também pela aceleração na liberação dos financiamentos. A avaliação desses grupos é que o volume de R$ 85,2 bilhões destinado ao programa e o ritmo de concessão dos recursos são insuficientes para atender à demanda.
A preocupação não se limita ao montante reservado ao Pronaf. Representantes da Contag, da Contraf Brasil, da Unicafes, de cooperativas de crédito e de agentes financeiros têm cobrado maior rapidez na operacionalização das linhas, temendo que atrasos burocráticos comprometam o calendário de plantio e de investimentos da agricultura familiar. Do outro lado da mesa, a equipe econômica resiste a qualquer mudança nas regras do programa. O Ministério da Fazenda tenta brecar a abertura de novos créditos orçamentários ou alterações no mecanismo de equalização de juros, que aumentariam a despesa fiscal em um momento de forte pressão sobre as contas públicas. Nos bastidores, integrantes da área econômica avaliam que flexibilizar as regras logo no início da safra abriria um precedente para novas pressões ao longo do ano agrícola. Ou seja, é cedo demais para baixar a guarda. A questão é que há uma eleição logo ali na esquina.