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Mercado
O que está por trás da decisão da Cosan de retirar seus ADRs da Bolsa de Nova York? Para muito além do discurso oficial – simplificação societária, redução dos custos etc etc -, o mercado enxerga esse movimento como o prenúncio de mudanças mais profundas na estrutura de capital do grupo. A leitura é que a saída da Nyse abre caminho para o BTG e a Perfin aumentarem suas participações antes mesmo dos marcos previstos no acordo de acionistas assinado em 2025. Os ADRs funcionam como uma segunda porta de entrada para o capital da Cosan, com ações representadas por certificados negociados nos Estados Unidos, depositário próprio e uma base adicional de investidores. Ao fechar essa porta e concentrar a negociação na B3, a companhia coloca praticamente toda a movimentação de seu capital sob um único guarda-chuva. É uma barreira societária a menos para administrar em uma eventual redistribuição de participações entre os integrantes do bloco.
Hoje, o BTG detém 14% da Cosan. A Perfin, por sua vez, soma 5,6%. O acordo de acionistas, firmado por ocasião do aporte de R$ 4,5 bilhões na empresa, no ano passado, já prevê gatilhos para uma maior participação do banco de André Esteves e da gestora de recursos no capital. O primeiro ponteiro chega a novembro de 2029, quatro anos depois da capitalização, quando termina uma trava relevante à transferência de ações. O segundo, e mais importante, bate em novembro de 2031. Até lá, a engenharia de governança preserva uma posição privilegiada para Rubens Ometto dentro do bloco. A partir dos seis anos de vigência do acordo, muda a mecânica de representação, abrindo espaço para que o peso acionário de BTG e Perfin se traduza mais diretamente em poder na Cosan. Acordos de acionistas são escritos. E reescritos, se assim os signatários acordarem. Há um elemento adicional empurrando essa discussão para mais perto do presente: Ometto chega a essa equação em uma posição financeira muito menos confortável do que no passado. A Cosan ainda atravessa um processo duro de desalavancagem, enquanto a Raízen continua pressionada por dívida elevada, necessidade de capital e venda de ativos. Esse quadro reduz a margem de manobra do controlador e aumenta o valor estratégico de sócios que já estão dentro do bloco, têm capital para avançar e conhecem por dentro a arquitetura societária do grupo.