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A Aeris procura uma saída do labirinto financeiro em que se encontra, com uma dívida de quase R$ 2 bilhões. Neste momento, os poucos caminhos que restam apontam, quase que inevitavelmente, para a diluição da participação dos acionistas controladores, a família Negrão. Segundo informações obtidas pelo RR, além da busca de um novo investidor, entre as hipóteses discutidas com os credores está a conversão de parte do passivo em equity. Do outro lado da mesa, está um batalhão de bancos, entre eles BNDES, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Santander e Banco Votorantim, a quem a Aeris deve cerca de R$ 600 milhões. A possibilidade surge no momento em que a maior fabricante de pás eólicas da América Latina tenta ganhar tempo para evitar o estrangulamento financeiro. Na última quinta-feira, 20 de agosto, a companhia recorreu à Justiça em busca de uma tutela cautelar para suspender, por até 60 dias, cobranças e execuções de créditos incluídos nas tratativas com seus principais financiadores.
Um eventual acordo para a entrada dos bancos no capital seria uma forma de a Aeris ganhar fôlego, mas está longe de conter o vento mais forte que sopra contra a empresa: a dívida de R$ 1,2 bilhão em debêntures. Os detentores dos papéis já foram chamados para uma nova rodada de conversas. O ponto mais sensível é que a Aeris já percorreu boa parte do receituário tradicional para empresas excessivamente alavancadas, sem conseguir estabilizar sua estrutura financeira. Em 2023, realizou um follow-on de R$ 400 milhões, praticamente todo sustentado pelo BTG Pactual. A operação foi apresentada como uma forma de reduzir a alavancagem e reforçar o caixa para enfrentar os vencimentos. O BTG acabou assumindo uma posição acionária relevante, em uma estrutura que preservava aos Negrão direitos políticos sobre os papéis e estabelecia mecanismos para uma futura recompra.
O dinheiro novo não bastou. Menos de dois anos depois, a empresa precisou voltar aos credores. Em maio de 2025, concluiu uma ampla reestruturação que alcançou aproximadamente 90% do endividamento financeiro. Foram R$ 1,409 bilhão em dívidas renegociadas, dos quais R$ 1,056 bilhão em debêntures e cerca de R$ 353 milhões em compromissos com Banco do Brasil, Banco Votorantim e Santander. Houve alongamento de vencimentos, mudanças nos cronogramas de amortização e pagamento de juros e flexibilização de covenants. A renegociação comprou tempo, mas não resolveu o desequilíbrio. Pouco mais de um ano depois, a Aeris está novamente diante dos seus credores, agora protegida temporariamente por uma medida judicial.