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Indústria
Mais um indicador da tibieza da indústria brasileira e – por que não? – do próprio Mercosul. Gradativamente, a China, sempre a China, e a Tailândia estão deslocando o Brasil no fornecimento de autopeças para a Argentina. No primeiro semestre, as exportações brasileiras de componentes automotivos ao país vizinho caíram 24,1%, de US$ 1,68 bilhão para US$ 1,27 bilhão. A participação do Brasil nas importações totais das montadoras argentinas caiu para 28%, abaixo da faixa histórica de 30% a 40%. Na direção oposta, o dueto asiático assumiu a dianteira. China e Tailândia passaram a responder, juntas, por quase 32% das importações argentinas de autopeças. No caso da China, trata-se de uma ofensiva que afeta as duas pistas do comércio bilateral entre as duas maiores economias da América do Sul. Enquanto o Brasil perde espaço na Argentina, ocorre movimento semelhante do lado de cá da fronteira. As vendas argentinas de autopeças para o Brasil recuaram no primeiro semestre, ao passo que as importações brasileiras de componentes chineses cresceram 25%.
O avanço asiático coloca sob pressão o que durante décadas funcionou como um mercado praticamente cativo do Brasil. A indústria automobilística argentina é profundamente integrada à brasileira. Montadoras instaladas dos dois lados da fronteira dividem plataformas, fornecedores e componentes, amparadas por um regime automotivo bilateral que permite tarifa zero no comércio entre os dois países. O que não tem sido suficiente para sustentar a posição do Brasil. No ano passado, as exportações de autopeças para a Argentina somaram US$ 3,23 bilhões, queda de 9% em relação a 2024. Neste ano, no entanto, a julgar pelo primeiro semestre, a marcha a ré será mais longa. Entre janeiro e junho, as vendas de componentes para o lado de lá da fronteira já recuaram 24,1% na comparação com igual período no ano passado.