Capital estrangeiro faz fila para explorar minerais nucleares no Brasil – Relatório Reservado

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Capital estrangeiro faz fila para explorar minerais nucleares no Brasil

  • 7/07/2025
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A Indústria Nuclear do Brasil (INB) está se tornando uma sociedade de participações. A estatal acumula 17 pedidos de grupos privados para parcerias voltadas à produção de minerais nucleares e radioativos. A maior quantidade de propostas é para lavra e comercialização de urânio. A ideia do governo é não somente tornar o Brasil autossuficiente no mineral, mas também em um player importante no tabuleiro internacional.

Não está prevista a venda das jazidas, mas,

sim, associações. Com toda a ambiguidade que essa política possa trazer. Por onde quer que se olhe, a estratégia pode ser considerada tanto um movimento desestatizante quanto uma intervenção do governo em projetos que poderiam ser inteiramente privados.

A leitura vai variar de acordo com o gosto do freguês. O fato é que o Brasil pode virar um eldorado dos minerais nucleares. Depende mais de vontade política do que do apetite dos investidores. Candidatos existem. É o caso da australiana Core Energy Minerals, que assinou um memorando de entendimentos com a INB para projetos conjuntos em urânio, além de terras raras.   e Indústrias Nucleares do Brasil (INB) assinam recentemente memorando de entendimento para colaboração em projetos de terras raras e urânio.

Outro potencial candidato é a francesa Orano, a antiga Areva. A empresa atua em vários segmentos da cadeia de negócio do urânio, da mineração ao enriquecimento, passando pela reciclagem de combustível irradiado e por serviços de engenharia no ciclo nuclear. Seu

maior acionista é o governo da França. Ressalte-se que os franceses são parceiros do Brasil na construção do seu primeiro submarino nuclear.  

E as oportunidades não se limitam ao urânio. O mesmo modelo pode ser adotado também em relação ao tório. Ambos têm sua particularidade. O Artigo 177 da Constituição e a Lei nº 4.118, de 1962, estabelecem o

monopólio da União sobre a pesquisa, lavra, enriquecimento, reprocessamento, industrialização e o comércio de minérios nucleares.

No entanto, em 2022, o governo Bolsonaro promulgou a Lei nº 14.514, abrindo as portas para o capital privado na exploração desses minerais, desde que em associação com a INB. A produção mundial de tório ainda é diminuta. Gira em torno de cinco mil toneladas por ano. No entanto, diversos estudos científicos – a exemplo do “The Thorium Fuel Cycle”, assinado pela Agência Internacional de Energia Atômica, ou “The Potential of Thorium for Nuclear Energy”, produzido pelo MIT – atestam que o minério pode vir a ter um papel fundamental no futuro da energia nuclear.

Em comparação ao urânio, os reatores a tório são menos radioativos, portanto, com menor risco de acidentes, e têm maior economicidade. Bom para o Brasil. O país detém a quarta maior reserva do minério em todo o mundo, com mais de 300 mil toneladas, atrás da Índia (840 mil), Estados Unidos (400 mil) e Turquia (340 mil). O tório é encontrado na monazita, mineral existente no litoral brasileiro, especialmente na Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro. 

#INB

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