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Além do sonoro sinal de alerta com a disparada da inadimplência no cartão de crédito, o balanço do Banco do Brasil divulgado nesta semana deixou outras pulgas atrás da orelha dos investidores. Uma delas está na velocidade de formação de novos créditos problemáticos em relação às provisões. No segundo trimestre, o chamado New NPL, indicador que mede a formação de novas operações com atraso superior a 90 dias acrescida das baixas para prejuízo, chegou a R$ 21,7 bilhões. A cobertura desse fluxo ficou em 86,9%, abaixo dos 107,8% registrados nos três primeiros meses do ano. Ou seja: no trimestre, a despesa com perdas esperadas não acompanhou integralmente a formação de novos créditos inadimplentes. Os números do próprio BB ajudam a dimensionar a pressão. O saldo de créditos em Estágio 3, classificação reservada às operações com maior deterioração de risco, aumentou 6,1% entre março e junho, de R$ 102,8 bilhões para R$ 109 bilhões. No mesmo intervalo, a perda esperada associada a essa carteira cresceu 5,7%, de R$ 71,7 bilhões para R$ 75,8 bilhões. A cobertura do Estágio 3, portanto, recuou ligeiramente, de 69,8% para 69,5%. Ao mesmo tempo, a participação desses créditos na carteira total passou de 8,3% para 8,8%.
Não se trata de afirmar que o banco esteja insuficientemente provisionado. O ponto é outro: a deterioração dos ativos continua correndo em velocidade elevada, o que exigirá que o BB mantenha um nível mais alto de despesas com risco de crédito nos próximos trimestres. A inadimplência acima de 90 dias subiu de 5,05% em março para 5,61% em junho e estava em apenas 3,96% um ano antes. O índice geral de cobertura dos créditos vencidos há mais de 90 dias caiu, no mesmo período, de 158,4% para 148,5%.
O segundo ponto de apreensão dos investidores é decorrente do primeiro. Esse quadro torna mais apertado o espaço do Banco do Brasil para cumprir as projeções para 2026. O BB mantém um guidance de lucro líquido ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. No primeiro semestre, porém, entregou R$ 7,339 bilhões, queda de 34,2% sobre igual período do ano passado. Para alcançar apenas o piso da projeção, terá de lucrar aproximadamente R$ 10,7 bilhões entre julho e dezembro, cerca de 45% a mais do que conseguiu produzir nos primeiros seis meses do ano. O desafio aparece também do lado das perdas. O guidance prevê custo do crédito entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões no ano. Só no primeiro semestre, essa conta já chegou a R$ 37,3 bilhões, alta de 43,3% sobre igual período de 2025. Isso significa que, para permanecer dentro da faixa projetada, o BB só poderá registrar entre R$ 27,7 bilhões e R$ 32,7 bilhões com custo de crédito no segundo semestre, algo entre 12,5% e 25,9% abaixo do registrado na primeira metade do ano.
Esse estreitamento da margem de manobra tende a manter o Banco do Brasil sob escrutínio do mercado no segundo semestre. O banco precisará demonstrar que a desaceleração do custo de crédito observada entre o primeiro e o segundo trimestres pode ganhar força, ao mesmo tempo em que a rentabilidade reage. Com o New NPL novamente acima da cobertura gerada no período e mais de R$ 100 bilhões da carteira já classificados em Estágio 3, qualquer nova deterioração relevante do crédito tornará essa conta ainda mais difícil de fechar.