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B3 dá tempo ao tempo até credores assumirem o comando da Raízen
Pelo andar da carruagem, nem a B3 leva mais fé na atual gestão da Raízen. É o que sugere a decisão da Bolsa de estender, até 31 de março de 2027, o prazo para a companhia enquadrar o valor da sua ação, seguidamente negociada abaixo de R$ 1. A data coincide com o limite previsto para a conclusão da recuperação extrajudicial, a conversão de dívidas em equity, a entrada dos credores no capital e a mudança no comando do conselho. Com isso, a empresa ganhou um waiver de oito meses. A B3 não prorrogou apenas uma obrigação regulatória. Sincronizou o relógio da penny stock com o relógio da transferência do poder econômico da companhia. A ação da Raízen virou raspas e restos na Bolsa. Vem sendo negociada na faixa de centavos desde 6 de outubro de 2025. Neste momento, mesmo com toda a reestruturação, segue no patamar mais baixo desses nove meses, R$ 0,27. A norma da B3 determina que ações e certificados de ações sejam mantidos em valor igual ou superior a R$ 1. O desenquadramento é caracterizado quando o preço de fechamento permanece abaixo desse patamar por 30 pregões consecutivos. A Raízen já superou – e muito – esse prazo em cima do cadafalso. Os cerca de oito meses concedidos pela B3 à Raízen superam o parâmetro mínimo usual aplicado em situações como essa.
Neste momento, seria quase inútil obrigar a Raízen a agrupar suas ações agora, até porque a quantidade de papéis deverá ser completamente alterada nos próximos meses. A recuperação extrajudicial alcança aproximadamente R$ 65,4 bilhões em dívidas. Pela principal alternativa oferecida aos credores, 45% de cada crédito poderá ser convertido em ações emitidas a R$ 0,25. Os 55% restantes serão substituídos por novos instrumentos de dívida, distribuídos entre a futura Raízen Energia e a Raízen Combustíveis. Os credores deverão sair da operação com mais de 80% do capital da Raízen e aproximadamente 72% das ações com direito a voto. A participação da Cosan, que não fará aporte direto na capitalização, poderá encolher para algo entre 3% e 4%. A Shell preservará uma posição mais relevante graças à injeção de recursos e a direitos especiais de governança.
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