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O aumento de capital de até R$ 2,1 bilhões da Aegea, liderado pela Itaúsa, é visto no mercado como um paliativo – um caro paliativo, diga-se de passagem. Entre os investidores, a leitura é que os acionistas estão tentando ganhar tempo para promover uma reestruturação financeira mais profunda, capaz de atacar o elevado passivo da empresa. A dívida líquida beira R$ 47 bilhões, uma alavancagem ao redor de 4,5 vezes o Ebitda. Segundo informações que correm no mercado, os sócios da Aegea – além da Itaúsa, Equipav e GIC, fundo soberano de Cingapura – discutem ações mais contundentes: do reperfilamento do passivo, com o uso de instrumentos de prazo mais longo, como debêntures incentivadas e estruturas de project finance vinculadas a concessões específicas, até mesmo à hipótese de venda de participações minoritárias em concessões maduras. Esta segunda hipótese seria uma forma de destravar valor dos ativos sem a perda do controle.
Todas essas alternativas são discutidas em meio a uma possível reconfiguração do próprio bloco de controle da companhia. A Itaúsa, hoje dona de 13,27% da Aegea, manifestou disposição de investir até R$ 1,5 bilhão na capitalização. Caso Equipav e GIC não acompanhem integralmente o aumento de capital, a holding ampliará sua participação acionária e, por consequência, seu peso político nas decisões estratégicas da empresa. O percentual final dependerá do comportamento dos demais acionistas, mas o movimento pode representar a maior redistribuição de forças no capital da Aegea desde a entrada da Itaúsa na companhia.