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Real estate
A compra de R$ 2 bilhões em ativos imobiliários da Cyrela, anunciada nesta semana, marca uma inflexão na estratégia do TRXF11, um dos maiores e mais agressivos fundos de real estate do mercado brasileiro. O veículo de investimento gerido pela TRX, de Luís Augusto do Amaral e José Alves Neto, está deslocando seu eixo de crescimento das aquisições avulsas, construídas imóvel a imóvel, para operações de atacado, capazes de incorporar carteiras inteiras. Segundo informações que correm no mercado, o TRXF11 mantém conversas com duas outras incorporadoras também interessadas em monetizar patrimônio imobiliário, vendendo um pacote de empreendimentos. A investida do fundo persegue uma meta ambiciosa. O que se ouve à boca miúda é que o TRXF11 pretende chegar a R$ 12 bilhões em ativos ainda neste ano. Hoje seu portfólio gira em torno de R$ 10 bilhões, já contabilizada a compra dos ativos da Cyrela.
Há uma combinação de circunstâncias que torna o momento particularmente propício a operações desse tipo. O ambiente de juros elevados ajuda a explicar por que operações desse tipo ganharam espaço. Para empresas como a Cyrela, manter uma parcela relevante do capital imobilizada em imóveis prontos ou participações imobiliárias pode ser menos atraente do que transformar esses ativos em caixa e direcionar os recursos para novos projetos, redução de dívida ou reforço de liquidez. Na outra ponta, o mercado segue com poucos compradores capazes de absorver carteiras bilionárias, sobretudo porque o crédito está caro e as transações inteiramente à vista se tornaram mais difíceis. É justamente nesse espaço que o TRXF11 pretende avançar.
A operação com a Cyrela é emblemática porque funciona quase como um protótipo dessa engenharia. A proposta combina dinheiro e cotas do próprio fundo e prevê a participação do TRXF11 em veículos imobiliários administrados pela Cy.Capital. A fórmula permite ao comprador assumir uma carteira bilionária sem precisar desembolsar imediatamente, em dinheiro, todo o valor da transação. E possibilita ao vendedor monetizar os imóveis sem ter de abrir mão integralmente da exposição econômica aos ativos.