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Acervo RR
A Saint-Gobain cansou de pisar em cacos. Há mais de um ano peregrinando em busca de um comprador para suas operações na área de vidros no Brasil, o grupo francês decidiu mudar o figurino do negócio. A intransigência de quem só admitia vender integralmente a Santa Marina, fabricante de utensílios domésticos, e a divisão de embalagens deu lugar um modelo mais flexível. Os franceses estariam dispostos a se desfazer separadamente de cada unidade de negócio. A Saint-Gobain tenta, desta maneira, se adaptar aos candidatos do outro lado do balcão. É o caso da norte-americana Owens Illinois. A companhia tem interesse na compra das fábricas de embalagens da Saint-Gobain, mas quer deixar a Santa Marina de fora. O motivo é o Cade. Dona da Cisper, em associação com o Grupo Monteiro Aranha, a Owens passaria a ter quase 70% de market share em alguns produtos. Dificilmente escaparia da malha fina dos órgãos antitruste. Com relação a Santa Marina, um forte pretendente é a Nadir Figueiredo, que passaria a ser líder na produção de copos de vidro no país, com quase R$ 600 milhões de receita anual. Um fabricante chinês corre por fora. O atraso na venda transformou a Saint-Gobain do Brasil na retardatária do grupo. Trata-se da única subsidiária em todo o mundo que ainda não conseguiu se desfazer da divisão de vidros, dentro da estratégia dos franceses de concentrar seus negócios na área de material de construção.