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A China pode adicionar mais alguns gigawatts a sua presença no setor elétrico no Brasil. Segundo informação que circula em petit comité no setor, a SPIC (State Power Investment Corporation Limited) e a CTG (China Three Gorges) manifestaram interesse na aquisição da Echoenergia, subsidiária de geração renovável colocada à venda pela Equatorial. As duas gigantes chinesas se somam à Engie, que também está no páreo e já teria, inclusive, iniciado um processo de due diligence. A Equatorial comprou a Echoenergia em 2021 por cerca de R$ 10 bilhões em enterprise value. Esse número funciona hoje muito mais como referência histórica do que como piso para uma eventual transação. Desde então, a geração eólica e solar atravessou uma forte deterioração de preços e passou a conviver com o curtailment. Somente no segundo trimestre deste ano, os cortes de geração da Echoenergia chegaram a 229 GWh. Por isso, dificilmente a Equatorial conseguirá recuperar integralmente o valuation pago cinco anos atrás. Em tempo: entre as empresas, silêncio. Procurada, a Equatorial disse que “não comenta sobre possibilidades específicas de negócios ou aquisições”. Por sua vez, a SPIC Brasil informou que “não se posiciona diante de especulações do mercado”. Igualmente consultada, a CTG Brasil também não quis comentar o assunto.
A Echoenergia reúne aproximadamente 1,8 GW de capacidade instalada, concentrada em geração eólica e solar. O portfólio inclui 14 parques eólicos, distribuídos entre Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Pernambuco, além de duas usinas solares, uma no Piauí e outra na Bahia. A maior parte da capacidade está no Nordeste, justamente a região em que os grandes grupos de energia vêm disputando posições em renováveis. Tanto para a SPIC quanto para a CTG, contudo, a eventual aquisição da Echoenergia permitiria acrescentar de uma só vez uma grande plataforma de geração renovável a operações que os dois grupos vêm expandindo no Brasil. A SPIC já opera a hidrelétrica de São Simão, com 1,7 GW, além dos parques eólicos Millennium e Vale dos Ventos, na Paraíba. Tem ainda participação de 70% nos complexos solares Marangatu, no Piauí, Panati, no Ceará, e Luiz Gonzaga, em Pernambuco. No Rio Grande do Norte, está construindo os complexos eólicos Paraíso Farol e Pedra de Amolar. A própria companhia define esses investimentos como parte da criação de um hub de energia renovável no Nordeste. Seus ativos no Brasil somam aproximadamente 5,6 GW. Na CTG, a lógica é ainda mais centrada na diversificação do seu portfólio. A empresa construiu sua plataforma brasileira fundamentalmente sobre hidrelétricas – hoje soma cerca de 9,3 GW de capacidade instalada. Nos últimos anos, porém, começou a acelerar a migração para outras fontes.