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Venture capital
Os planos de crescimento da indiana Emergent no Brasil têm sido vistos com certa desconfiança entre importantes casas de venture capital do país. O receio não está propriamente no potencial da startup de inteligência artificial voltada à gestão de pequenas e médias empresas, que alcançou um valuation de US$ 1,5 bilhão apenas 13 meses depois do lançamento. O problema é a combinação entre expansão acelerada, forte consumo de capital e o histórico de seu fundador, Mukund Jha. Vamos por partes. O Brasil é prioridade na nova etapa de internacionalização da Emergent, o que explica o foco do mercado sobre a empresa. A companhia pretende usar parte dos US$ 130 milhões captados recentemente para acelerar sua presença no país e em outros mercados internacionais. O plano é ambicioso. A primeira ressalva está justamente na velocidade desse plano: a Emergent ainda está construindo sua operação global ao mesmo tempo em que sustenta um ritmo de crescimento que exige volumes crescentes de capital. A empresa estaria consumindo capital em ritmo elevado. A rodada, liderada pela Khosla Ventures e pela SoftBank, elevou para US$ 230 milhões o total levantado pela startup desde sua criação. Em janeiro, a Emergent havia recebido US$ 70 milhões e sido avaliada em US$ 300 milhões.
No Brasil, a ofensiva tem como um de seus principais alvos as pequenas e médias empresas. A Emergent oferece uma plataforma que permite a usuários sem conhecimento de programação criar aplicativos e sistemas empresariais por meio de comandos em linguagem natural. Na prática, um pequeno empresário pode desenvolver ferramentas próprias de CRM, ERP, controle de estoque ou gestão operacional sem contratar uma equipe de programadores. O mercado potencial é enorme. O problema é que conquistá-lo exigirá investimento pesado em aquisição de clientes, adaptação do produto e construção de marca em um ambiente cada vez mais competitivo.
Last, but not least, há o histórico de Mukund Jha a levantar dúvidas por onde passa. Antes de criar a Emergent, o executivo foi cofundador e CTO da Dunzo, startup indiana de entregas que protagonizou uma das mais emblemáticas histórias de ascensão e queda do venture capital naquele país. A Dunzo levantou cerca de US$ 450 milhões de investidores como Google e Reliance Industries e chegou a ser avaliada em mais de US$ 700 milhões. Só a Reliance, conglomerado controlado pelo bilionário Mukesh Ambani, investiu US$ 200 milhões na companhia em 2022. O dinheiro financiou uma agressiva corrida por escala, com expansão geográfica, abertura de dark stores, subsídios a entregas e elevados gastos de marketing.
A conta não fechou. No ano fiscal encerrado em março de 2023, a Dunzo registrou receitas equivalentes a aproximadamente US$ 27 milhões e prejuízo superior a US$ 200 milhões. Depois vieram atrasos de salários e pagamentos a fornecedores, demissões e dificuldades para levantar novos recursos. A companhia encerrou suas atividades em 2025. A Reliance acabou dando baixa integral em seu investimento.