O estetoscópio que o SUS não comprou – Relatório Reservado

O que precisa ser dito

O estetoscópio que o SUS não comprou

  • 27/08/2026
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Na UPA de Copacabana, uma das portas de urgência mais movimentadas do país, instalada num dos bairros de idade média mais avançada do Brasil, não há aparelho de ultrassom. Nenhum. O paciente idoso que chega com dor abdominal, falta de ar ou suspeita de trombose é estabilizado às cegas e entra numa fila de regulação para fazer, semanas depois, num hospital de retaguarda, um exame que levaria quatro minutos ali mesmo, ao lado da maca. Se fosse trombose, talvez ele não chegasse a saber…

Não é um problema local. Levantamento da Folha de S. Paulo, publicado em outubro de 2024, apurou que apenas três das 26 capitais e o Distrito Federal fazem ultrassom de emergência em UPAs: Salvador, com nove das 20 unidades; Belo Horizonte, com quatro de nove; e São Paulo, com quatro de um total de 30. O governo do Estado do Rio informou à reportagem que administra 17 UPAs na capital — todas sem ultrassom. A Prefeitura do Rio foi procurada e não respondeu.

O país tem cerca de 500 UPAs. A esmagadora maioria não tem o aparelho.

A explicação das secretarias é curta e reveladora. O governo de Alagoas respondeu que não oferece o serviço nas UPAs de Maceió porque o equipamento “não é exigido na legislação que rege as UPAs”. O Ministério da Saúde confirmou: não há obrigatoriedade.
O que a legislação hoje exige é o raio-X.

 

Metade da norma inglesa

Não se trata de abandonar a radiografia. No mundo desenvolvido ninguém está tirando raio-X do pronto atendimento. O padrão inglês para os Urgent Treatment Centres, equivalentes funcionais das nossas UPAs, é que instalações de raio-X simples estejam disponíveis durante todo o horário de funcionamento, e recomenda que passem a existir no local onde ainda não existem, observando que a radiografia de tórax e de membros aumenta a capacidade de avaliação da unidade.

Só que a mesma frase da norma inglesa exige, antes disso, acesso a diagnóstico à beira do leito. Os dois vêm juntos, na mesma linha: bedside diagnostics e raio-X simples.

 

O Brasil escolheu a metade certa?

O Brasil adotou a metade mais cara e que resolve menos, de um jeito mais rígido que o original adotado em nossos ricos irmãos do norte. O padrão inglês recomenda, às unidades que ainda não o têm, adquirir um raio-x simples, mas isso é uma recomendação. Ela admite não ter a máquina de raio-x no local: nesse caso, exige-se protocolo claro de acesso, com encaminhamento direto a outro sítio, sem passar pela emergência hospitalar. O que se quer garantir é o acesso, não a presença do equipamento. Quanto à outra metade, lá é inescapável: o que deve acontecer de imediato, ao lado do leito, não dá para transferir. E esse exame rápido, simples e barato descongestiona filas de procedimentos e de unidades de complexidade maior.

Aqui, a máquina mais cara é obrigatória na unidade e o aparelho barato não é exigido em lugar nenhum.

 

O que resolve mais na entrada?

Na medicina de urgência de hoje, o ultrassom de mão é chamado de “o novo estetoscópio”. Não é frase de fabricante: é como a especialidade descreve a passagem de um exame que se pede para um exame que se faz com a própria mão, durante a anamnese. E a evidência é clara.

Análise publicada no The Ultrasound Journal, com 15 estudos e 3.171 pacientes, comparou o ultrassom de tórax feito pelos próprios profissionais da emergência com a radiografia, tendo a tomografia como referência. No diagnóstico de pneumotórax, o ultrassom acertou 79,4% dos casos; o raio-X, 48,1%. Numa suspeita de pneumotórax, a radiografia deixa passar metade.

Em falta de ar por insuficiência cardíaca descompensada — a queixa que mais leva idoso à porta de urgência —, meta-análise no American Journal of Cardiology, com 2.787 pacientes, concluiu que o ultrassom de pulmão tem precisão igual ou superior à da radiografia.

Restava a fratura de pequena extensão, que se pode ter dúvida se de fato ocorreu, o caso em que o raio-X de fato resolve numa unidade de entrada, sem mandar o paciente ao hospital — e note que é disso que se trata, porque o politraumatizado vai direto à emergência hospitalar, não ao pronto atendimento. Pois bem: ensaio clínico com sorteio de pacientes, publicado nos Annals of Emergency Medicine, acompanhou 270 crianças e adolescentes com lesão de antebraço. Os médicos acertaram o diagnóstico em 97,8% dos casos com ultrassom e em 83% com radiografia, sem que nenhuma fratura importante escapasse em qualquer dos grupos. Revisão posterior encontrou precisão entre 91,5% e 99,5% e redução média de quinze minutos no tempo de permanência.

O caminho que emergiu desse ensaio é o que faria sentido numa UPA: o ultrassom faz a triagem e, se aparece fratura com quebra do osso, aí sim vem a radiografia. O ultrassom é o filtro; o raio-X é a segunda linha, mais demorado, mais caro, mais perigoso. O ultrassom não resolve sozinho casos mais complicados, nos quais a localização e a extensão exatas são necessárias para determinar o procedimento a seguir – que quase sempre será executado em unidade hospitalar. Por isso, torna-se admissível não dispor do equipamento desde que se proporcione acesso imediato à instalação hospitalar onde ele esteja disponível.

Mas a norma brasileira estabeleceu o contrário.

 

A conta

Ainda naquela reportagem de 2024, Leonardo Piber, diretor da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, informou que um aparelho portátil de ultrassom custava cerca de R$ 30 mil, nos modelos mais simples, a R$ 200 mil, nos mais completos. O raio-X — este sim obrigatório — custa de R$ 150 mil a R$ 1 milhão. O dólar não variou muito nesse tempo e os valores em reais, hoje, continuam na mesma faixa.

Equipemos a UPA média como se equipa um pequeno pronto-socorro decente, capaz de efetivamente atender a quem chega e triar com agilidade e maior precisão quem deverá ser encaminhado para outra unidade ou ter um procedimento agendado: três aparelhos de mão, para os médicos usarem no leito, e um aparelho completo sobre rodas, para os exames que pedem mais resolução. Três a R$ 30 mil somam R$ 90 mil; o completo, no teto da faixa, R$ 200 mil. São R$ 290 mil por unidade. Como já tem raio x, e o orçamento imenso já está, em princípio, todo comprometido, dá para adquirir apenas os três de mão.

Multiplicados por 500 UPAs são R$ 145 milhões, ou 45 milhões, se adquirirem apenas os portáteis…
O Ministério da Saúde teve orçamento sancionado de R$ 271,3 bilhões para 2026, dos quais R$ 107,2 bilhões só para a atenção especializada. Cento e quarenta e cinco milhões são pouco mais de 0,05% do orçamento da saúde — cinco centésimos de um por cento. Um único aparelho de raio-X de sala mais obras de instalação pode custar R$ 1 milhão, e é obrigatório nas 500 unidades.

O ultrassom não emite radiação. Dispensa sala blindada, projeto de proteção radiológica, licença específica, medição periódica, dosimetria nos funcionários e técnico em radiologia habilitado. Numa UPA de instalação precária, que é a regra do país, precisa de uma tomada. O raio-X precisa de uma obra.

O treino também não é obstáculo, e é onde a economia do aparelho aparece. Como não há radiação nem preparo, o exame pode ser repetido à vontade, em quase qualquer paciente — o que faz do aprendizado algo que acontece dentro do plantão, sem afastar médico, sem montar turma, sem pagar substituto. O Colégio Americano de Médicos de Emergência recomenda de 25 a 50 exames supervisionados por aplicação e avalia competência demonstrada, não certificado de curso. O que falta não é caso clínico nem tempo de médico. É programa: supervisor credenciado, banco de imagens e revisão periódica — que é barato, e que a norma deveria exigir junto com o equipamento.

 

O critério não é a doença

Por que o aparelho menos adequado é o obrigatório? A resposta não está na medicina. Está na tabela de importação.

Dentro da mesma subposição da nomenclatura, a 9022.14.1, “de diagnóstico”, convivem aparelhos médicos de raios X com tratamentos diferentes:

 

Aparelho NCM Imposto de importação
Para mamografia 9022.14.11 12,6%
Para angiografia 9022.14.12 0%
Para densitometria óssea 9022.14.13 0%
Outros de radiografia — o da UPA 9022.14.19 12,6%
Ecógrafo com Doppler 9018.12.10 0%

 

A tarifa zero para angiografia, densitometria e ultrassom está certa, e não há o que criticar nela: imposto de importação existe para proteger fabricação nacional, e não se fabrica nenhum desses aqui. Proteger o que não existe seria cobrar do doente em troca de nada. Foi por esse critério que a Resolução Gecex nº 866, de fevereiro deste ano, desonerou sistemas de angiografia entre os equipamentos de alta complexidade sem similar nacional.

O problema é o outro lado da lista. Mamografia e radiografia geral pagam 12,6% porque há quem monte esses dois aparelhos no Brasil — e só por isso. A maior fabricante nacional, a VMI Médica, de Lagoa Santa, produz exatamente essas duas linhas: mamógrafos e raio-X fixo. Não produz angiógrafo nem densitômetro. A tarifa acompanha a fronteira do catálogo.

Vale medir o que essa escolha significa. Mamografia é rastreamento de câncer de mama: exame de massa, cuja cobertura determina quantas mulheres chegam ao diagnóstico a tempo. Radiografia é a porta de entrada da urgência. São os dois equipamentos de maior volume e maior alcance populacional do sistema. A angiografia, isenta, é de hemodinâmica — alto custo unitário, baixo volume, uso de exceção.

O Estado brasileiro encareceu o rastreamento de câncer de mama e a porta de entrada da urgência, e liberou o procedimento de exceção. Em nenhum momento a saúde entrou na conta. A tabela foi montada olhando quem tem galpão, não quem tem doença.

E a incidência não é só nominal: como o ICMS na importação incide sobre o valor da mercadoria somado ao imposto de importação, ao IPI e ao PIS/Cofins, e ainda entra na própria base, cada real de tarifa custa entre R$ 1,22 e R$ 1,32 ao comprador final.

 

Quatro pontos pela chapa, dois pelo algoritmo

O que se protege com esses 12,6% que viram mais de 22% está descrito, com pontuação ao lado. A Portaria Interministerial nº 39, de agosto de 2019, define o Processo Produtivo Básico do aparelho de raios-X fixo com detector digital — a lista de etapas que a empresa precisa cumprir para ser considerada fabricante nacional e acessar o benefício fiscal. A empresa deve somar 22 pontos por ano. A tabela distribui assim:

Cortar, dobrar e estampar a coluna vertical: 4 pontos. Cortar, dobrar e estampar o suporte do tubo e a mesa de exames: 4 pontos. Montar todas as partes elétricas e mecânicas do gerador de alta tensão: 1 ponto. Desenvolver o software de processamento de imagens e sinais: 2 pontos. Projetar o produto no País, com engenheiros residentes no Brasil: 6 pontos.

Leia de novo. Dobrar chapa vale o dobro de escrever o algoritmo. E a chapa da coluna, sozinha, vale quatro vezes mais que montar o gerador de alta tensão inteiro, que é a única eletrônica de potência séria do conjunto.

Agora imagine uma empresa que faria sentido existir. Uma startup que desejasse comprar a plataforma de hardware de um fabricante asiático — há muitos vendendo exatamente isso, máquina completa ou componentes avulsos — e desenvolver aqui o processamento de imagem, a interface, o protocolo, toda a propriedade intelectual mais relevante. É como opera boa parte da indústria de dispositivos médicos, e é assim que o valor migrou, no ultrassom, do transdutor para o software.

Pela tabela, essa empresa somaria 8 pontos: 6 do projeto, 2 do software. O piso é 22. Ela pode ter escrito cada linha do algoritmo no Brasil e não é fabricante nacional. Para completar a conta, precisa abrir uma fábrica de aparafusar cuja única função é somar pontos.

O regime não lhe pede tecnologia e inovação. Pede mais montagem.

Não é preciso supor má-fé, e a explicação simples é pior que a suspeita. É a convicção burocrática de que fábrica merece proteção pelo fato de ser fábrica, agravada pela convicção de que montar e parafusar é fabricar suficiente para merecer incentivos que oneram o sistema de saúde. Quem escreveu a tabela deve ter achado, sinceramente, que dobrar uma chapa vale o dobro de escrever um algoritmo — e cobrou a diferença do rastreamento de câncer de mama.

Há uma objeção respeitável, e ela merece registro. Sustenta-se que a capacitação tecnológica começa pela mão de obra que monta, que fornecedores locais de usinagem e chapa se formam em torno de uma linha de montagem, e que exigir desenvolvimento antes de haver indústria é pôr o carro adiante dos bois. Foi com esse argumento que se justificou a política industrial brasileira por muitas décadas.

O que não se sustenta, contudo, é manter a estrutura de incentivos protecionistas indefinidamente, tendo por resultado apenas a montagem, ou pouco mais que isso. Passados mais de dez anos de incentivos, o país não fabrica tubo nem detector de painel plano — as duas peças que definem a geração da máquina e respondem pela maior parte de seu custo. Se a proteção comprasse aprendizado, ao menos uma delas existiria aqui.

Como se faz quando o objetivo é gerar desenvolvimento e prestar um serviço melhor?

Há um teste simples para saber o que verdadeiramente pretende uma política industrial: descubra o que ela paga mais caro para ter. Vale contar como o “novo estetoscópio” veio ao mundo.

Em fevereiro de 1996, o Escritório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, por meio da Darpa, a agência de projetos avançados do Departamento de Defesa, escolheu a empresa ATL Ultrasound, dentro de um consórcio, para desenvolver ultrassom miniaturizado. O governo queria um equipamento portátil para campo de batalha e catástrofes, capaz de diagnosticar trauma grave. O projeto custou US$ 12,6 milhões, metade bancada pela agência, e reuniu a empresa, a Universidade de Washington e duas fabricantes de semicondutores.

A encomenda não descrevia um produto: descrevia um desempenho. Pesar menos de dez libras, aguentar as condições imprevisíveis do campo de batalha, ter transdutor capaz de identificar estilhaço plástico de mina terrestre. O trabalho foi entregue em novembro de 1998, no prazo e abaixo do orçamento. Dali saiu o SonoSite 180, o primeiro ultrassom de mão do mercado, e uma empresa que existe até hoje. A concorrente Terason nasceu do mesmo jeito, com US$ 6 milhões da mesma agência.

Não foi tarifa. Não foi tabela de pontos. Foi encomenda, com especificação de desempenho e compra encadeada em caso de sucesso.

E os americanos institucionalizaram o modelo na saúde. O Project BioShield, de 2004, criou um fundo de US$ 5,6 bilhões para dez anos destinado ao desenvolvimento avançado e à compra de contramedidas médicas prioritárias, e permite à agência comprometer-se a comprar um produto antes mesmo de ele ter aprovação regulatória plena. A justificativa oficial é franca: sem fonte segura de recursos, as empresas não têm incentivo para desenvolver o que o país precisa. Em quinze anos, 27 projetos apoiados, 15 produtos incorporados ao estoque estratégico e dez aprovações regulatórias.

O Brasil tem o instrumento em lei — a encomenda tecnológica está no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação desde 2016. O que falta é a outra metade: o comprador comprometido. Financia-se o protótipo e entrega-se o inventor a um mercado pulverizado em milhares de municípios. Por isso nossos editais de fomento produzem relatórios e não produzem empresas.

 

A encomenda que o Brasil deveria fazer

Há uma encomenda óbvia à espera, porque a demanda já existe e já está contada. Um ultrassom de mão para porta de urgência, com tutoria inteligente embarcada. Não é ficção científica: guias de aquisição de imagem por inteligência artificial, que orientam o operador a posicionar a sonda e avaliam a qualidade do quadro em tempo real, já receberam autorização regulatória nos Estados Unidos e estão incorporados a produtos comerciais. O que ninguém fez ainda, e o Brasil tem motivo de sobra para fazer, é juntar isso a um programa de formação em escala, num sistema público com 500 portas de entrada e escassez crônica de supervisores.

 

A especificação, por desempenho, não por produto

Peso e autonomia de bateria compatíveis com um plantão de doze horas. Sondas e protocolos que cubram o que chega à porta: tórax, abdome, aorta, vias urinárias, gestação, acesso vascular, partes moles e osso. Qualidade de imagem aferida contra padrão definido. Tutoria embarcada que corrija a técnica durante o exame e explique o achado. Gravação automática com envio para revisão assíncrona, permitindo que um supervisor atenda dezenas de unidades à distância — que é como se pode resolver o gargalo real de uma UPA em Caixa Prego num distrito de Nova Iguaçu. Registro do progresso de cada médico, para que a competência seja demonstrada e auditada, e não apenas certificada em papel. Preço-teto por unidade. Assistência técnica em todas as regiões.

 

O contrato, em dois tempos

Primeiro, desenvolvimento com reembolso de custo e marcos de desempenho, aberto a consórcios de empresa, universidade e serviço de saúde — porque a parte clínica não se desenvolve sem plantão de verdade. Depois, e este é o ponto que falta no Brasil, compromisso de compra a preço fixo em caso de sucesso.
As 500 unidades, três aparelhos de mão e um completo cada, R$ 145 milhões, garantidos em edital desde o primeiro dia. Possivelmente divididos entre os donos da solução e um licenciado escolhido por edital, para não criar monopólio. Possivelmente capacitando a empresa desenvolvedora a fornecer em seguida ao mercado privado e, posteriormente, a exportar.

 

O que se exige de nacional, e o que não

O hardware pode vir de onde for mais barato; ninguém precisa fabricar transdutor no Brasil para que isto dê certo. O que fica no país é a propriedade intelectual do novo: o software de imagem, o motor de tutoria, os protocolos clínicos, os dados de treinamento e os direitos sobre tudo isso. É o inverso exato da tabela de pontos — em vez de premiar a montagem e mal tolerar quem escreve algoritmo, comprar o algoritmo e deixar a montagem com quem a fizer por preço menor, drenando menos recursos do SUS.

Custaria, em desenvolvimento, uma fração do que o país já gasta com renúncia fiscal para linha de montagem. E entregaria as duas coisas que a política atual não entrega: o aparelho na porta da UPA e uma empresa brasileira dona de algo de valor para o mundo.

 

O ponto

Cinco centésimos de um por cento do orçamento federal da saúde poriam três equipamentos de ultrassom de mão e um aparelho completo em cada uma das 500 UPAs do país — sem obra, sem blindagem, sem radiação, dobrando o acerto diagnóstico em pneumotórax e reduzindo a fila de regulação.

Em vez disso, o país tornou obrigatório o aparelho que exige obra, taxou em 12,6% a máquina que rastreia câncer de mama, e escreveu uma tabela que paga quatro pontos por dobrar chapa e apenas dois por desenvolver software de ponta.

 

Fontes:
Folha de S.Paulo/Folhapress, out./2024. Portaria GM/MS nº 10, de 3/1/2017. NHS England, Urgent Treatment Centres – principles and standards. The Ultrasound Journal, 2025. American Journal of Cardiology, 2022. Annals of Emergency Medicine, 2023. American College of Emergency Physicians, diretrizes de ultrassom. Futuro da Saúde (orçamento sancionado da saúde, 2026). Nomenclatura Comum do Mercosul e Tarifa Externa Comum, subposições 9022.14 e 9018.12. Resolução Gecex nº 866, de fevereiro de 2026. Portaria Interministerial SEPEC/ME/MCTIC nº 39, de 27/8/2019. Histórico da SonoSite e do contrato da Darpa com a ATL Ultrasound. ASPR/BARDA, Project BioShield. Lei nº 13.243/2016.

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