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Mercado
No mercado, há uma crescente percepção de que a MRV está desmontando a Resia aos poucos e fazendo uma saída gradual dos Estados Unidos. A sucessão de vendas de ativos da subsidiária norte-americana deixou de ser vista apenas como uma estratégia de reciclagem de portfólio e passou a alimentar a leitura de que o grupo mineiro prepara o terreno para reduzir ao mínimo ou mesmo zerar sua exposição ao país. Na semana passada, a MRV deu mais um passo nessa direção ao anunciar a negociação do Memorial, um projeto imobiliário em Atlanta, e de cinco terrenos por US$ 170 milhões. Ao que tudo indica, a companhia de Rubens Menin decidiu acelerar a marcha da desmobilização neste ano. No primeiro semestre, a MRV vendeu, entre outros ativos, Tributary, Rayzor Ranch e Ten Oaks. Só os dois últimos foram negociados por US$ 139 milhões. Em pouco mais de um ano e meio, a companhia negociou cerca de US$ 550 milhões em imóveis e terrenos nos Estados Unidos.
Tão ou mais revelador do que o volume vendido é o fato de a MRV ter anunciado que a Resia não lançará novos empreendimentos enquanto permanecer sob a estrutura do grupo. A orientação é concluir os projetos em curso, administrar os ativos restantes e monetizá-los gradualmente. Em outras palavras, a companhia deixou de alimentar o estoque que está sendo vendido. É uma equação que, mantida ao longo do tempo, leva ao progressivo esvaziamento da operação americana. Em março, a Resia ainda tinha US$ 773 milhões em ativos consolidados. Depois das vendas de Rayzor Ranch e Ten Oaks e, agora, do Memorial e dos cinco terrenos, a estimativa é que esse montante tenha recuado para algo próximo de US$ 350 milhões. O principal ativo restante é Golden Glades, em Miami, que tinha valor contábil de aproximadamente US$ 133 milhões. Há ainda North City, no Texas, projeto que não é consolidado integralmente no balanço da MRV e também deverá ser monetizado.
O enxugamento tem uma explicação bastante objetiva: a Resia tornou-se um sorvedouro de resultados e capital para a MRV. Em 2024, a empresa americana registrou prejuízo líquido de US$ 69,8 milhões. Em 2025, a perda saltou para US$ 242,7 milhões. Foram, portanto, mais de US$ 312 milhões em prejuízos em apenas dois exercícios. No primeiro trimestre deste ano, a operação continuou no vermelho, com uma perda de US$ 22 milhões. A conta da saída também está sendo salgada. A necessidade de vender ativos rapidamente obrigou a MRV a aceitar descontos relevantes sobre seus valores contábeis. Rayzor Ranch e Ten Oaks, por exemplo, estavam registrados por US$ 188 milhões e foram vendidos por US$ 139 milhões, uma diferença de US$ 49 milhões em relação ao valor contábil. Memorial e os cinco terrenos negociados agora acrescentaram mais US$ 61 milhões em impairment.
Formalmente, a MRV adota o discurso de que a Resia passa por uma reestruturação e continuará existindo sob um “novo modelo societário”. No entanto, a empresa já informou que a subsidiária deixará de ser consolidada no balanço da MRV. É justamente essa combinação de vendas sucessivas, interrupção de novos projetos e retirada de capital que alimenta no mercado a percepção de que, antes de encontrar uma nova estrutura para a Resia, a MRV está fechando lentamente a porta por onde entrou nos Estados Unidos