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Energia
Como preencher o vácuo deixado pela Vale? Esse é o dilema do momento da Eneva, leia-se BTG. A empresa discute alternativas comerciais para dar novo destino aos 250 mil m³/dia de gás natural liquefeito que deixaram de ser consumidos após o rompimento do contrato com a mineradora. Na mesa estão o aumento das vendas para a VirtuGNL, a busca de novos clientes industriais no Norte e no Nordeste e uma ofensiva maior sobre o transporte pesado. A Virtu é o caminho mais curto. O contrato de fornecimento com a Eneva elevou o volume de 35 mil para 150 mil m³/dia e admite uma expansão para até 750 mil m³/dia. Esse limite, no entanto, está longe de ser uma venda garantida. Para chegar lá, será necessário acelerar a entrada de caminhões movidos a GNL nas estradas, ampliar a rede de abastecimento e fechar novas operações logísticas.
Outra possibilidade aventada é vender diretamente para indústrias fora da malha de gasodutos. A Eneva já usa carretas criogênicas para transportar o gás produzido no Maranhão até consumidores mais distantes. Mineradoras, fabricantes de fertilizantes, empresas de alimentos, cimento, cerâmica, papel e celulose formam o universo mais óbvio de potenciais clientes. A vantagem está em somar contratos de médio porte até repor o volume perdido. O problema é que cada operação exige uma solução logística própria, com custos e prazos de implantação.
A procura por novos compradores tornou-se ainda mais urgente porque a Eneva mantém o projeto de expansão da unidade de liquefação do Complexo Parnaíba, cuja capacidade passará de 600 mil para 900 mil m³/dia. Com a Vale, toda a produção disponível da planta estava comercializada. Agora, além de recolocar os 250 mil m³/dia devolvidos pela mineradora, a companhia terá de criar mercado para os 300 mil m³/dia adicionais previstos no projeto.
A situação só não é mais apertada porque a decisão da Vale de romper o contrato veio acompanhada de uma indenização de R$ 340 milhões. O pagamento reduz o impacto imediato do distrato e dá algum tempo à Eneva. Não elimina, contudo, o problema: encontrar compradores para um volume equivalente a mais de 40% da capacidade atual da unidade de liquefação do Complexo Parnaíba.